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Entenda por que o Brasil rebaixou as relações diplomáticas com a Argentina de Javier Milei

Itamaraty mantém o embaixador brasileiro em Brasília após ataques de Javier Milei a Lula e ministros do STF; Argentina critica a decisão

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
lula milei
lula milei — Crédito: Reprodução Redes Sociais

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O governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina após as sucessivas declarações do presidente Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão foi adotada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), que determinou que o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, permaneça em Brasília e não retorne à Argentina enquanto continuarem as manifestações consideradas ofensivas pelo governo brasileiro.

Com a medida, o Brasil passa a ser representado na Argentina por um encarregado de negócios, cargo diplomático de nível inferior ao de embaixador e utilizado em situações de rebaixamento das relações entre os países.

Decisão foi motivada por declarações de Milei

O desgaste diplomático se intensificou após a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada em 26 de julho, quando Javier Milei participou do evento e fez críticas ao presidente Lula.

Na ocasião, o presidente argentino chamou Lula de "presidiário" e também direcionou ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator do processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Segundo o governo brasileiro, as declarações continuaram nos dias seguintes, quando Milei voltou a fazer ataques públicos, chamando Lula de "ladrão" e "lixo socialista", além de manter críticas ao Supremo Tribunal Federal.

Em nota, o Itamaraty classificou as declarações como incompatíveis com a relação histórica entre os dois países.

"Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro", afirmou o ministério.

Embaixador permanece em Brasília

O embaixador Julio Bitelli já havia sido convocado a retornar ao Brasil após as primeiras declarações de Milei.

Agora, o governo decidiu mantê-lo em Brasília por tempo indeterminado, condicionando seu retorno ao fim dos ataques feitos pelo presidente argentino.

Enquanto isso, a representação diplomática brasileira em Buenos Aires ficará sob responsabilidade de um encarregado de negócios.

Argentina reage

Em nota divulgada nas redes sociais, o governo argentino lamentou a decisão brasileira e classificou a medida como unilateral.

Segundo a chancelaria argentina, o rebaixamento das relações teria sido motivado por questões "puramente ideológicas".

"Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Esse critério é o que a Argentina sustenta hoje", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

O governo brasileiro, por sua vez, sustenta que mantém relações diplomáticas com países governados por diferentes correntes políticas e afirma que a decisão decorre exclusivamente das repetidas ofensas dirigidas às autoridades e instituições brasileiras.

Crise repercute na imprensa argentina

O rebaixamento das relações diplomáticas ganhou destaque nos principais veículos de comunicação da Argentina.

O jornal Clarín classificou a decisão brasileira como uma "dura sanção diplomática". Já o portal Infobae afirmou que Brasil e Argentina vivem uma "crise sem precedentes" nas relações bilaterais e destacou a preocupação de empresários argentinos com os possíveis reflexos econômicos.

Relação comercial segue estratégica

Apesar da tensão política, Brasil e Argentina mantêm uma das principais parcerias comerciais da América do Sul.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina (Indec), o Brasil foi o principal destino das exportações argentinas no primeiro semestre deste ano, respondendo por 12,6% das vendas externas do país.

Já dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, em 2025, a Argentina foi o terceiro principal destino das exportações brasileiras, que somaram US$ 18,1 bilhões, o equivalente a 5,2% de tudo o que o Brasil exportou no período.

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