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Enfermagem do Hospital Regional rejeita proposta da CIS e ameaça paralisação em Guarapuava

Profissionais cobram incorporação do piso da enfermagem em carteira e afirmam que pagamento sem formalização compromete direitos trabalhistas; impasse amplia pressão sobre empresa terceirizada já envolvida em outras controvérsias na área da saúde

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Hospital Regional de Guarapuava
Hospital Regional de Guarapuava — Crédito: Geraldo Bubniak

A crise envolvendo profissionais da enfermagem e a empresa CIS, responsável pela gestão assistencial do Hospital Regional de Guarapuava, ganhou um novo capítulo nesta semana. Enfermeiros e técnicos rejeitaram a proposta apresentada pela terceirizada e deram prazo de 48 horas para que a empresa apresente uma resposta formal às reivindicações da categoria. O principal impasse gira em torno da incorporação do piso nacional da enfermagem nos registros em carteira.  

A decisão foi tomada durante assembleia realizada na segunda-feira (25). Segundo os trabalhadores, a proposta da empresa previa o pagamento dos valores retroativos com entrada de 30% e parcelamento do restante em seis vezes. O problema, porém, não estaria apenas no pagamento imediato, mas na recusa da empresa em formalizar os novos valores nos contratos de trabalho.

De acordo com o advogado do Sindicato dos Profissionais da Saúde de Guarapuava, Victor Andrade, a ausência do reajuste em carteira pode gerar prejuízos diretos aos trabalhadores no cálculo de benefícios como férias, 13º salário e FGTS. Na avaliação da categoria, um eventual pagamento “por fora” não resolveria o problema estrutural denunciado pelos profissionais.  

A situação reacende discussões sobre a terceirização da saúde pública e sobre a atuação da CIS, empresa que já apareceu em outras controvérsias envolvendo gestão hospitalar, contratos e relações trabalhistas no Paraná. Nos bastidores da saúde regional, a avaliação de profissionais é que o episódio amplia o desgaste da terceirização em setores considerados estratégicos, especialmente em hospitais de referência.

O Portal RSN já havia revelado anteriormente que trabalhadores afirmavam ter sido contratados sob a promessa de regularização do piso em até 90 dias, o que, segundo os relatos, nunca ocorreu. Técnicos de enfermagem disseram receber cerca de R$ 1,7 mil, enquanto o piso proporcional citado pela categoria seria de aproximadamente R$ 2,7 mil.  

A discussão ocorre em meio a um cenário nacional ainda marcado por disputas judiciais e políticas em torno da implementação definitiva do piso da enfermagem. A Lei nº 14.434/2022 estabeleceu o piso nacional em R$ 4.750 para enfermeiros, R$ 3.325 para técnicos e R$ 2.375 para auxiliares e parteiras, considerando jornada de 44 horas semanais.  

Ao mesmo tempo, a categoria segue pressionando por redução da jornada de trabalho. Em abril deste ano, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou proposta que reduz a carga horária máxima da enfermagem para 36 horas semanais sem redução salarial.  

A tensão em Guarapuava pode avançar para uma paralisação nos próximos dias. Os profissionais afirmam que, caso a empresa não apresente uma resposta considerada satisfatória dentro do prazo estipulado, haverá mobilização para interrupção das atividades. O movimento preocupa diante da importância do Hospital Regional para o atendimento de média e alta complexidade em Guarapuava e municípios vizinhos.  

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