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Palácio Iguaçu
Palácio Iguaçu — Crédito: Divulgação

Empresa investigada pela PF por suspeita envolvendo Lulinha tem R$ 17,2 milhões em contratos com o Governo do Paraná

A 3Structure IT possui quatro contratos com o Governo do Paraná, enquanto a empresa é investigada pela Polícia Federal em inquérito que envolve Fábio Luís Lula da Silva. O Estado afirma que todas as contratações seguiram a legislação

Gabriel Porta · · 6 min de leitura

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Uma empresa de tecnologia da informação investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mantém contratos que somam R$ 17.212.340,04 com órgãos do Governo do Paraná. Os acordos foram firmados com a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) e a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar).

As informações são de um levantamento publicado pelo Poder360. Segundo a apuração, a 3Structure IT possui quatro contratos com o Estado do Paraná. Três deles foram assinados no fim de 2025 e o mais recente foi firmado em julho de 2026.

A empresa também é alvo de investigações da Polícia Federal. Nesta terça-feira (4), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou a abertura do terceiro inquérito contra Lulinha. A investigação busca apurar uma possível atuação do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para facilitar contratos da empresa junto ao governo federal.

Até o momento, não há acusação de irregularidade específica envolvendo os contratos firmados com o Governo do Paraná.

Governo do Paraná diz que contratos seguiram a legislação

Em nota, o Governo do Paraná afirmou que todas as contratações envolvendo a 3Structure IT ocorreram por meio de pregões e licitações eletrônicas previstos na legislação.

Segundo o Estado, os contratos foram celebrados entre a Secretaria da Fazenda e a Celepar, em processos que envolveram modalidades como registro de preços, pregões eletrônicos e licitações com exigências técnicas específicas.

O governo informou que, em todos os certames, a empresa foi declarada vencedora após superar os demais concorrentes por preço ou habilitação técnica.

Ainda de acordo com a administração estadual, nenhum dos concorrentes ingressou na Justiça para contestar os resultados das licitações e todos os itens contratados foram entregues conforme previsto nos editais. Os contratos têm vigência que pode se estender até 2031.

Empresa possui contratos em outros estados

Além do Paraná, a 3Structure IT mantém contratos com os governos do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.

No Rio de Janeiro, a empresa firmou ao menos 30 contratos que totalizam R$ 160.585.361, assinados entre dezembro de 2022 e março de 2026.

Os principais órgãos atendidos são:

- Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro (Proderj);
- Secretaria de Estado de Defesa Civil e Corpo de Bombeiros Militar;
- Secretaria de Estado de Polícia Militar;
- Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja);
- Fundo Especial de Administração Fazendária (FAF);
- Fundação Ceperj;
- Secretaria de Estado de Polícia Civil;
- Detran-RJ;
- RioPrevidência;
- Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Uerj.

Em Minas Gerais, a empresa possui três contratos que somam R$ 4.649.835,56, firmados com a Defensoria Pública, a Fundação Hospitalar e a Secretaria de Estado do Governo.

Somados, os contratos celebrados com os governos do Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais chegam a aproximadamente R$ 182 milhões.

Outro ponto destacado pelo levantamento é que, durante a assinatura desses contratos, os três estados eram governados por Cláudio Castro (PL), Ratinho Junior (PSD) e Romeu Zema (Novo), respectivamente. Os três são considerados críticos ou adversários políticos do governo do presidente Lula.

Contratos com o governo federal superam R$ 81 milhões

Além dos contratos estaduais, a 3Structure IT mantém seis contratos com o governo federal que, juntos, somam R$ 81.193.808,61.

Cinco desses contratos foram assinados durante o terceiro mandato do presidente Lula. O mais antigo foi celebrado em novembro de 2022, ainda na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e recebeu um aditivo superior a R$ 3,5 milhões em julho deste ano.

Todos os contratos têm como objeto o fornecimento de soluções de tecnologia da informação.

PF investiga atuação de Lulinha

A Polícia Federal conduz atualmente três investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva.

O primeiro inquérito apura suspeita de tráfico de influência junto ao Ministério da Saúde para favorecer negociações relacionadas à compra de produtos à base de cannabis. A investigação cita a empresária Roberta Luchsinger e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

O segundo inquérito investiga a relação entre Lulinha e Cléber Ribas de Oliveira, sócio da 3Structure IT. Os investigadores suspeitam que o empresário buscava contratos junto à Dataprev e outros órgãos federais e que teria custeado ao menos uma viagem do filho do presidente em troca de acesso ao governo.

A investigação aponta que Lulinha e Cléber Ribas viajaram utilizando o mesmo localizador em um voo realizado em 15 de dezembro de 2024, com destino a Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. Para a Polícia Federal, esse elemento pode indicar que o empresário arcou com as despesas da viagem.

Já o terceiro inquérito, autorizado nesta terça-feira por Flávio Dino, investiga uma possível atuação de Lulinha para facilitar contratos da 3Structure IT junto à administração pública federal.

Na mesma decisão, o ministro também autorizou uma investigação para apurar possíveis vazamentos de mensagens privadas trocadas entre Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger.

Lula comentou investigações

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., na última quinta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o filho responderá às investigações sem qualquer tratamento diferenciado.

Ao mesmo tempo, declarou que Lulinha vem sendo utilizado para tentar desgastar sua imagem política desde a campanha eleitoral de 2006.

Lobby não é crime; tráfico de influência pode configurar ilícito

A atividade de lobby consiste na representação de interesses de empresas ou entidades perante agentes públicos, buscando influenciar decisões relacionadas a políticas públicas, projetos de lei, regulamentações ou contratos.

No Brasil, embora não exista uma legislação específica sobre a atividade, ela não é considerada ilegal.

Já o tráfico de influência é previsto no artigo 332 do Código Penal e ocorre quando alguém solicita ou recebe vantagem prometendo utilizar sua influência sobre agentes públicos para obter decisões favoráveis.

A principal diferença entre as duas situações está na existência de vantagens indevidas ou da utilização de relações pessoais para obtenção de benefícios ilícitos.

Empresa nega irregularidades

Em nota, a 3Structure IT afirmou que todos os contratos firmados com governos estaduais ocorreram "com absoluta transparência" e após processos licitatórios.

A empresa informou que atua na área de proteção de dados, possui certificações internacionais e representa fabricantes globais do setor. Segundo a nota, sua contratação ocorreu em razão da capacidade técnica demonstrada durante as licitações.

A companhia não respondeu ao questionamento sobre eventual participação de Fábio Luís Lula da Silva em atividades de lobby relacionadas aos contratos estaduais.

A advogada de Cléber Ribas, CEO da empresa, também afirmou que os contratos firmados com órgãos federais seguiram rigorosamente a legislação e que não houve qualquer tipo de intermediação de terceiros. Segundo a defesa, os contratos já foram submetidos a auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU).

Defesa de Lulinha não se manifestou

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva foi procurada para comentar as investigações, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

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