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Em entrevista à GP, Álvaro Dias comenta a volta ao jogo político e deixa candidatura em aberto

Após três anos em silêncio, ex-senador diz que só retorna se houver chamado popular. Pesquisas recentes apontam prestígio e reacendem seu nome no cenário eleitoral

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Alvaro Dias
Alvaro Dias — Crédito: GP

Na abertura do Show Rural 2026, em Cascavel, o ex-senador Álvaro Dias afirmou que recebeu “com gratidão” as pesquisas que voltaram a apontar seu nome entre os mais lembrados do eleitorado paranaense e admitiu que pode avaliar uma candidatura nas eleições deste ano, caso haja “vontade coletiva” da população e do partido.

Em entrevista à Gazeta do Paraná neste domingo, Dias reagiu com cautela ao resultado. Disse ter recebido os números “com gratidão”, mas reforçou que passou os últimos anos afastado de disputas.

“A palavra é gratidão. Eu venho há três anos em silêncio, sem promover debate político, sem participar dos debates nas redes sociais, longe da política mesmo, querendo paz”, afirmou. “Eu sempre dizia: tenho muita vontade de falar, mas a vontade de ter paz é maior.”

O tom, porém, mudou quando o assunto passou da vida privada para responsabilidade pública. Segundo ele, o distanciamento foi positivo, mas não definitivo.

“Ficar um pouco longe foi muito bom. Mas chega a hora da responsabilidade. Vem o chamamento.”

Sem anunciar candidatura, o ex-senador deixou a porta aberta. Disse que qualquer decisão dependerá do sentimento coletivo, não de uma vontade individual.

“Qualquer decisão passa sempre pela população. Eu sempre substituo o ‘eu’ pelo ‘nós’. A decisão é coletiva. Se perguntarem se eu quero, eu sou capaz de dizer que não. Mas tem que saber se a população quer.”

Dias evocou sua trajetória para justificar eventual retorno, citando “décadas de experiência”, “o maior número de mandatos do Paraná” e “o maior número de votos da história do Estado”. Ainda assim, afirmou que prefere entregar a definição “nas mãos de Deus e do povo do Paraná”.

Questionado sobre a pressão de pesquisas e do partido, recorreu a uma metáfora: “A política é como a nuvem. Uma hora está aqui, outra hora está longe.” Lembrou que as convenções partidárias só ocorrem em julho e defendeu esperar “as proximidades da convenção” para sentir se há “vontade coletiva”.

“Eu não posso mudar as minhas convicções. Se a população entender que elas se compatibilizam com o desejo da sociedade, aí quem sabe eu possa voltar realmente.”

Nos bastidores, o nome de Dias voltou a circular após os levantamentos eleitorais, mas ele transferiu o protagonismo ao partido, o Movimento Democrático Brasileiro. “O partido é que conduz o processo. A decisão é sempre coletiva. Eu não sou obrigado a ser candidato.”

Sem promessas, mas também sem recuos, o ex-senador enquadrou 2026 como um momento delicado do país. “O país precisa de boas cabeças, de experiência, de lucidez, de equilíbrio, de responsabilidade e de respeito à população.”

No maior palco do agronegócio paranaense, entre estandes, lideranças políticas e pré-candidatos em circulação, a presença discreta de Álvaro Dias acabou produzindo o efeito inverso: recolocou seu nome no centro do tabuleiro eleitoral. Se voltará oficialmente ao jogo, ele diz que ainda é cedo. Mas, pela primeira vez em anos, deixou claro que a possibilidade existe.

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