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El Niño no Paraná: Alep reúne especialistas e alerta para chuvas até 80% acima da média

Especialistas do Simepar, Defesa Civil e órgãos estaduais discutiram na Assembleia Legislativa os impactos do El Niño, que pode provocar chuvas até 80% acima da média, aumentando o risco de enchentes

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
el nino
el nino — Crédito: Gilson Abreu/AEN

Representantes da Defesa Civil, Simepar, secretarias estaduais, universidades e órgãos de controle participaram, nesta segunda-feira (13), de uma reunião na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para discutir os impactos esperados do fenômeno El Niño e definir estratégias de prevenção diante da previsão de aumento das chuvas nos próximos meses. O encontro "El Niño no Paraná: prevenção, cenários e desafios" foi promovido pelo presidente da Alep, deputado Alexandre Curi (Republicanos), e pelo deputado Evandro Araújo (PSD), vice-presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais.

Durante o evento, especialistas destacaram a necessidade de planejamento antecipado para reduzir os impactos de possíveis enchentes, alagamentos, enxurradas, vendavais e deslizamentos, especialmente entre a primavera e o verão.

O coordenador executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Ivan Ricardo Fernandes, afirmou que o Estado já vem desenvolvendo ações preventivas há vários meses para enfrentar os efeitos do fenômeno.

Segundo ele, a previsão indica um volume de chuvas entre 60% e 80% acima da média histórica durante a primavera, cenário que exige reforço nas medidas de prevenção e preparação dos municípios.

"Esse encontro é importante para mostrar à sociedade o trabalho que vem sendo realizado em conjunto com os municípios. Estamos nos preparando para um período de chuvas intensas, principalmente por causa do risco de inundações e alagamentos em diversas regiões do Paraná", afirmou.

Simepar mantém monitoramento permanente

O coordenador de Operações do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), Marco Antonio Rodrigues Jusevicius, explicou que o fenômeno vem sendo acompanhado desde os primeiros sinais de formação e que o monitoramento ocorre de forma contínua.

Segundo ele, o El Niño foi oficialmente caracterizado em junho e deve permanecer ativo pelo menos até o verão de 2027, com maior intensidade prevista para a primavera.

Jusevicius destacou que todas as informações sobre mudanças nas condições meteorológicas são repassadas à Defesa Civil, responsável pela emissão dos alertas à população.

"O monitoramento é permanente. O principal risco é o aumento do volume de chuva, que pode provocar alagamentos, enxurradas e inundações. Por isso, as áreas de risco precisam ser acompanhadas de forma constante pelas autoridades", explicou.

Fontes oficiais

O presidente do Simepar, Paulo de Tarso de Lara Pires, orientou a população a buscar informações apenas em canais oficiais para evitar a disseminação de boatos e previsões sem fundamento.

Segundo ele, embora a expectativa seja de um evento de moderada a forte intensidade, não há motivo para pânico.

"O importante é que a população acompanhe as informações dos órgãos oficiais. Sabemos que haverá aumento das chuvas e possibilidade de inundações, mas o Estado está investindo em tecnologia para ampliar o monitoramento e garantir respostas rápidas sempre que necessário", afirmou.

Ele informou ainda que o Simepar vai ampliar sua estrutura com a instalação de seis novos radares meteorológicos, que serão integrados à rede de estações hidrometeorológicas já existente no Paraná.

Cenário preocupa autoridades

De acordo com a nota técnica mais recente elaborada pelo Simepar e pela Defesa Civil Estadual, o Oceano Pacífico permanece em condição de neutralidade, mas há 82% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño ao longo do inverno, com intensidade entre moderada e forte.

Para a primavera e o verão, os órgãos alertam para a possibilidade de chuvas acima da média, elevando o risco de enchentes, alagamentos, vendavais e deslizamentos, principalmente entre setembro e dezembro.

Nos últimos dez anos, o Paraná registrou cerca de 6 mil desastres naturais, que atingiram praticamente todos os 399 municípios do Estado. Nesse período, mais de 4,5 milhões de pessoas foram afetadas, com prejuízos estimados em aproximadamente R$ 32 bilhões.

Além da Defesa Civil e do Simepar, participaram do encontro representantes da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), além de prefeitos, técnicos e integrantes de entidades públicas e privadas ligadas à gestão de riscos climáticos.

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