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Economistas veem PIB abaixo de 2% em 2026 após sinais de desaceleração

Dados de varejo, serviços e indústria indicam perda de ritmo da economia com impacto dos juros elevados sobre consumo e atividade

Gazeta do Paraná · · 2 min de leitura
Dinheiro
Dinheiro — Crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil

A possibilidade de o Brasil registrar crescimento superior a 2% em 2026 ficou mais distante diante dos sinais recentes de desaceleração da economia. Economistas avaliam que os resultados de varejo, serviços e indústria mostram perda de ritmo, principalmente em atividades mais sensíveis aos juros elevados.

Segundo o IBGE, as vendas do varejo cresceram 0,5% em junho, após alta de 0,3% em maio e queda de 1,5% em abril. No varejo ampliado, que inclui veículos, materiais de construção e atacado de alimentos, houve retração de 1% em junho, no quarto mês consecutivo de resultado negativo.

O setor de serviços ficou estável no mês, enquanto a produção industrial caiu 1,8%, registrando a segunda queda seguida. Para especialistas, os números reforçam o impacto do aperto monetário sobre a atividade econômica.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, projeta crescimento de 1,7% para o PIB em 2026. Segundo ele, seria necessária uma aceleração da economia ao longo do ano para que o resultado superasse 2%, cenário que não aparece nos dados mais recentes.

A mediana das projeções do mercado financeiro está em 1,98%, segundo o boletim Focus. O Ministério da Fazenda mantém previsão de crescimento de 2,3%, enquanto o FMI projeta alta de 2,4%.

O economista André Valério, do banco Inter, considera pouco provável um crescimento acima de 2% e estima expansão de 1,8%. Para ele, os dados apontam perda de dinamismo mesmo diante das medidas de estímulo adotadas pelo governo.

No primeiro trimestre, o PIB cresceu 1,1%, impulsionado principalmente pela agropecuária. O resultado do segundo trimestre será divulgado pelo IBGE em 1º de setembro.

A desaceleração ocorre mesmo após o início do ciclo de redução da Selic, que chegou a 14% ao ano em agosto. O Banco Central, porém, mantém a avaliação de que a inflação segue pressionada pela demanda e que os juros ainda precisam permanecer em nível elevado para conter a atividade.

Se as projeções abaixo de 2% se confirmarem, 2026 será o primeiro ano desde 2020 em que o PIB brasileiro crescerá menos de 2%.

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