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Dossiê aponta acesso a dados da segurança pública por empresa privada no Olho Vivo e expõe operação fora de licitação

Material detalha integração via APIs, uso de nuvem internacional e atuação de empresa privada no sistema, enquanto governo não esclarece execução tecnológica

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
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. — Crédito: Reprodução

A ausência de explicações do governo do Paraná sobre quem desenvolve e opera a tecnologia do programa Olho Vivo passa a ter elementos concretos a partir de um dossiê obtido pela reportagem, que descreve uma estrutura com participação de empresa privada e acesso a dados sensíveis da segurança pública.

O material aponta que a empresa Paladium Corp atua na execução tecnológica do sistema, operando algoritmos de inteligência artificial e participando do processamento das informações geradas pelo monitoramento.  

Segundo o dossiê, a atuação da empresa ocorre dentro de uma arquitetura baseada na integração de sistemas públicos e privados, com acesso a bases de dados do Estado por meio de conexões técnicas.

Um dos pontos centrais do documento é a descrição de um mecanismo de integração via APIs para sistemas da segurança pública, permitindo acesso a dados sensíveis e informações pessoais.  

Entre os dados mencionados estão registros de mandados de prisão, informações sobre pessoas desaparecidas, veículos roubados e dados biométricos, com possibilidade de cruzamento em tempo real.

Na prática, o sistema deixa de ser apenas uma rede de câmeras e passa a operar como uma plataforma de inteligência que cruza múltiplas bases de dados para gerar alertas e identificar pessoas e veículos.

O dossiê também descreve a existência de um “túnel de acesso” às bases da Secretaria de Segurança Pública e do Detran, permitindo a compilação de informações sensíveis dentro da estrutura do sistema.  

A prova dessa integração aparece em registros internos da própria Celepar, com solicitações de desenvolvimento de APIs voltadas ao consumo de dados da segurança pública, incluindo listas de mandados e bases biométricas.

Além da execução tecnológica, o material aponta que o processamento dos dados ocorre em ambiente de computação em nuvem operado por empresas internacionais, como Google Cloud ou Amazon Web Services.

Nesse modelo, as informações captadas pelas câmeras e cruzadas pelo sistema são armazenadas e processadas fora da infraestrutura física do Estado, em servidores privados.

O fluxo descrito no documento indica que as imagens captadas nas ruas são integradas a bases oficiais, como Detran e sistemas federais, e posteriormente processadas por softwares que realizam o cruzamento das informações em tempo real.  

Esse processamento, segundo o material, ocorre em ambiente de nuvem, o que amplia o alcance da operação tecnológica e centraliza o tratamento dos dados fora da estrutura estatal tradicional.

A estrutura descrita contrasta com a resposta oficial do governo do Estado, que atribui à Celepar a responsabilidade pela execução do sistema, sem mencionar a participação de empresas privadas nem detalhar a arquitetura tecnológica utilizada.

O governo também não esclarece como se dá o acesso às bases de dados nem quais mecanismos são utilizados para integração entre sistemas.

A lacuna se torna ainda mais relevante diante do volume de recursos envolvidos. O dossiê aponta que o programa pode alcançar mais de R$ 1 bilhão em investimentos, somando contratos já firmados e o novo Pregão Eletrônico nº 203/2026, estimado em R$ 580 milhões.  

Outro elemento apontado é a execução de partes do sistema sem planejamento técnico formal, incluindo a ausência de estudos prévios e a implantação de estruturas físicas sem licenciamento em alguns municípios.

O material também menciona a atuação de empresas na instalação de equipamentos e na ampliação da capacidade analítica do sistema, sem detalhamento público sobre os contratos envolvidos.

Diante desse cenário, o funcionamento do Olho Vivo deixa de ser apenas uma política de monitoramento urbano e passa a envolver uma estrutura complexa de integração de dados, processamento em nuvem e participação de agentes privados.

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