🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Result
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Dono da Voepass admite à PF que sabia de omissão de panes antes de acidente

O empresário também revelou que havia sido alertado pessoalmente por diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre esse comportamento dentro da companhia

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Felicio
Felicio — Crédito: Voepass

🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA

O proprietário e presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, admitiu à Polícia Federal que tinha conhecimento de uma cultura interna de omissão de falhas técnicas na companhia aérea. O depoimento faz parte do inquérito que investigou a queda do voo 2283, ocorrida em agosto de 2024, em Vinhedo (SP), que deixou 62 mortos.

Segundo o relatório final da PF, Felício Filho reconheceu que pilotos da empresa evitavam registrar determinados problemas nos diários de bordo para impedir que as aeronaves permanecessem em solo para manutenção. O empresário também revelou que havia sido alertado pessoalmente por diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre esse comportamento dentro da companhia.

A informação foi considerada relevante pelos investigadores porque reforça a conclusão de que a omissão de registros de manutenção fazia parte de um problema estrutural da empresa e poderia ter contribuído para a operação de aeronaves em condições inadequadas.

Diante das evidências reunidas no inquérito, a PF indiciou Felício Filho e outros 15 funcionários e executivos pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, previsto no artigo 261 do Código Penal. Entre os indiciados estão integrantes das áreas de operações, manutenção e segurança, além de mecânicos e despachantes operacionais.

A legislação prevê pena de dois a cinco anos de prisão para quem expõe aeronave a perigo ou dificulta a navegação aérea. Se houver queda ou destruição da aeronave, a pena passa para quatro a 12 anos. Em caso de morte, a punição pode ser aplicada em dobro.

“Não deveria estar naquela condição”

Durante depoimento prestado à PF em 4 de agosto de 2026, Felício Filho também reconheceu que a aeronave envolvida no acidente apresentava problemas que deveriam ter impedido sua operação.

Segundo o relatório, o empresário afirmou que “a aeronave não deveria estar naquela condição, mas também não deveria ter sido despachada para aquela rota”.

O avião, de matrícula PS-VPB, decolou em 9 de agosto de 2024 com problemas conhecidos no sistema de degelo e tinha como destino uma região com previsão de condições severas para formação de gelo.

As investigações apontaram que a aeronave perdeu o controle durante o voo após o acúmulo de gelo, em um cenário agravado pela inoperância do sistema de degelo e pela demora na adoção dos procedimentos de emergência.

Felício Filho tentou, em sua defesa, afastar a responsabilidade da alta direção sobre as decisões operacionais, argumentando que a diretoria de segurança operacional atuava de forma independente dos setores responsáveis pelas decisões diárias de manutenção e controle das aeronaves.

A PF, porém, destacou que o empresário é piloto de formação e tinha conhecimento técnico sobre a vulnerabilidade do modelo ATR-72 em condições de gelo. Além disso, segundo os investigadores, ele era o destinatário formal de notificações de irregularidades encaminhadas pela Anac.

Empresa encerrou operações

O acidente acelerou o colapso operacional da Voepass. Em março de 2025, a Anac suspendeu cautelarmente todas as operações da companhia após identificar falhas estruturais e problemas nos sistemas de gerenciamento da segurança.

Em junho daquele ano, a agência cassou definitivamente os certificados de Operador Aéreo e de Organização de Manutenção da empresa. Desde então, a Voepass não realiza voos comerciais e enfrenta processos de reestruturação e dívidas.

Em nota, a companhia afirmou que a segurança operacional sempre foi sua prioridade e que, ao longo de mais de 30 anos, cumpriu os protocolos de segurança, manutenção e treinamento exigidos pela Anac.

A empresa também destacou que possuía, desde 2012, a certificação IOSA, concedida pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), e afirmou que os pilotos eram treinados para enfrentar situações de formação de gelo.

A Voepass ressaltou ainda que a tripulação do voo 2283 era experiente e que colaborou com as investigações, fornecendo documentos e registros ao Cenipa e à Polícia Federal. A empresa afirmou que o relatório da PF integra a fase investigatória e que aguardará os próximos desdobramentos judiciais, mantendo o direito de defesa.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.