🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Corbélia
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Delações sobre propinas em concessões reacendem debate sobre PPPs de saneamento no Paraná

As revelações nacionais envolvendo concessões de água e esgoto no Brasil adicionaram um novo elemento ao debate sobre as Parcerias Público-Privadas firmadas no Paraná nos últimos ano

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Aegea
Aegea — Crédito: Divulgação

Delações homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça descrevem pagamentos de propina ligados a contratos de saneamento em diferentes regiões do país. Os depoimentos mencionam executivos ligados ao grupo Aegea e relatam repasses ilícitos para obtenção ou manutenção de concessões entre 2010 e 2018.

Segundo a apuração, os valores citados nas colaborações chegam a cerca de R$ 63 milhões. A empresa afirma que os fatos se referem a períodos anteriores a mudanças de governança interna e não refletem sua estrutura atual.

As delações não tratam do Paraná nem mencionam contratos firmados no Estado. Ainda assim, a repercussão nacional colocou o tema sob nova luz, especialmente porque o grupo atua localmente por meio da Ambiental Paraná, responsável por executar concessões de esgotamento sanitário firmadas com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).

 

Caso revelado pela Gazeta amplia debate local

O impacto do noticiário nacional ocorre poucos dias após a Gazeta do Paraná publicar uma reportagem investigativa sobre a trajetória da ex-diretora administrativa da Sanepar, Priscila Marchini Brunetta, hoje presidente de empresas ligadas à concessionária privada que opera as PPPs no Estado.

A matéria mostrou que a executiva deixou o primeiro escalão da estatal em abril de 2023, permaneceu vinculada a conselhos internos até outubro do mesmo ano e, no mesmo período, passou a atuar na Ambiental Paraná, empresa criada para operar os contratos de esgotamento sanitário.

Meses depois, ela assumiu a presidência das sociedades de propósito específico responsáveis por executar as concessões bilionárias.

A reportagem não apontou ilegalidades nem irregularidades nas licitações, mas destacou a rapidez da transição entre o setor público e o privado, fenômeno conhecido como “porta giratória” em ambientes regulados.

 

Presença da Aegea no Paraná

No Estado, o grupo venceu duas concorrências recentes ligadas à ampliação da rede de esgoto. As licitações estruturaram parcerias público-privadas com contratos de longo prazo, abrangendo dezenas de municípios e investimentos bilionários.

As concessões foram formalizadas por meio de sociedades criadas exclusivamente para operar os sistemas concedidos, com responsabilidade por obras, operação e manutenção das estruturas.

O modelo segue a lógica adotada em diversos estados após as mudanças no marco legal do saneamento, que ampliaram a participação privada no setor.

 

Debate ampliado

Embora não haja qualquer investigação que relacione as delações nacionais às concessões paranaenses, especialistas avaliam que o impacto das revelações está na ampliação do debate público sobre governança em contratos dessa natureza.

Concessões de saneamento envolvem contratos de décadas, tarifas reguladas e forte dependência de fiscalização estatal, o que exige padrões elevados de transparência e controle institucional.

Nesse contexto, episódios locais que já geravam questionamentos passaram a ser analisados em um ambiente mais sensível, influenciado pelo noticiário nacional.

 

Efeito político e institucional

Nos bastidores, a combinação entre o noticiário nacional e reportagens locais elevou o nível de atenção sobre o setor no Paraná.

O tema voltou a circular em gabinetes políticos e órgãos de controle, especialmente diante do volume financeiro envolvido e da importância estratégica do saneamento para políticas públicas de longo prazo.

A discussão não ocorre por denúncias específicas envolvendo os contratos estaduais, mas pelo efeito indireto da repercussão nacional sobre um modelo que ainda está em consolidação no Estado.


O que diz a empresa

Em manifestações públicas, a Aegea tem afirmado que os fatos mencionados nas delações são anteriores a mudanças internas implementadas na companhia e que a empresa reforçou seus mecanismos de governança nos últimos anos.

A companhia sustenta que os contratos atuais seguem regras rígidas de compliance e que mantém cooperação com autoridades em processos investigativos relacionados a períodos passados.


Novo nível de atenção

Se por um lado as delações não trazem acusações relacionadas ao Paraná, por outro elevaram o nível de atenção sobre concessões de saneamento em todo o país.

No Estado, onde os contratos são recentes e ainda em fase de implementação, o efeito imediato tem sido mais debate, mais cobrança e maior acompanhamento público.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.