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Debate sobre vacina descamba para ataques, xingamentos e expõe racha na base na Alep

Fala sobre vacinação provoca confronto na Alep, com ataques a autoridades, xingamentos à galeria e reação da base do governo, que se descola e sai em defesa da ciência e do secretário de Saúde

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Arruda
Arruda — Crédito: Valdir Amaral

O debate sobre vacinação contra a Covid-19 provocou um dos momentos mais tensos e agressivos da sessão desta segunda-feira na Assembleia Legislativa do Paraná. A discussão, iniciada pelo deputado Ricardo Arruda, rapidamente saiu do campo técnico, escalou para ataques pessoais e terminou em confronto direto com a galeria, além de expor fissuras dentro da própria base do governo.

Arruda levou à tribuna um caso envolvendo a multa aplicada a uma mãe que não vacinou os filhos e passou a criticar a vacinação infantil, o Ministério Público e o Judiciário. Em tom elevado, afirmou que iria denunciar autoridades. “Essa promotora e essa juíza não têm vergonha na cara”, disse.

O deputado também direcionou ataques ao secretário estadual de Saúde, Beto Preto. “Isso é um crime que está acontecendo no estado do Paraná. O responsável é o secretário Beto Preto”, declarou.

A fala gerou reação imediata da galeria, ocupada majoritariamente por professores e representantes sindicais. Diante das manifestações, a presidência precisou intervir. “Eu peço silêncio. Caso contrário, teremos que pedir a retirada”, alertou.

O clima, no entanto, piorou. Arruda passou a atacar diretamente o público presente, elevando o nível do confronto. “Vocês representam o atraso. Não merecem aumento. Essa turma é uma vergonha”, afirmou. Em seguida, foi além: “É a esquerda lixo que está aqui”.

As declarações intensificaram o tumulto no plenário, com vaias e interrupções, exigindo novas intervenções da mesa para manter a sessão.

A reação veio na sequência. O deputado Doutor Antenor respondeu diretamente ao discurso de Arruda e defendeu a vacinação.

“Discursos inflamados, sem conteúdo, colocam em risco um dos maiores legados da saúde pública brasileira”, afirmou. Em tom irônico, acrescentou: “Eu me vacinei neste final de semana e ainda não virei jacaré”.

Antenor também acusou a disseminação de desinformação. “Não é possível que a gente aguente esse tipo de posicionamento que distorce a verdade e leva o povo a recuar da vacinação”, disse.

Na mesma linha, o deputado Tercilio Turini, médico, fez uma defesa técnica da imunização. “Falar contra a vacina é falar contra a população. Nós já enfrentamos epidemias com mortalidade brutal. Hoje temos instrumentos para salvar vidas”, afirmou.


Base se descola e blinda secretário 

As críticas de Arruda ao secretário de Saúde provocaram reação imediata dentro da base governista. O líder do governo, Hussein Bakri, fez uma defesa direta.

“O secretário Beto Preto fez um trabalho fantástico no estado do Paraná. A população teve o retorno que merecia”, disse.

A defesa foi reforçada por outros deputados. Alexandre Curi classificou o secretário como “um dos melhores do Brasil”, enquanto Gugu Bueno afirmou que Arruda “acabou exagerando”.

Já Romanelli destacou que a condução da pandemia no Paraná foi baseada “na ciência, no bom senso e no compromisso com a vida”.

 

Sessão expõe tensão

O episódio acabou revelando mais do que um embate sobre saúde pública. A sessão escancarou o avanço da tensão política dentro da Assembleia, com discursos mais radicalizados e ataques diretos.

Além do confronto com a galeria, o isolamento do discurso de Arruda dentro da própria base chamou atenção. Enquanto ele adotava um tom mais agressivo e ideológico, outros parlamentares governistas se posicionaram na direção oposta, defendendo a política sanitária adotada no estado.

Na prática, o plenário virou palco de um embate que misturou saúde pública, ideologia e pré-eleição, em um nível de confronto que obrigou intervenções constantes da presidência para manter a sessão em andamento.

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