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Data-base: proposta do governo deve ser apresentada até esta terça-feira

Com servidores em mobilização na Alep, líder do governo afirma que proposta da data-base deve sair até terça-feira, enquanto deputados apontam que Estado tem recursos e cobram decisão política

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Data-base
Data-base — Crédito: Valdir Amaral

A sessão desta segunda-feira na Assembleia Legislativa do Paraná foi marcada por forte pressão dos servidores públicos pela reposição salarial e avanço na data-base. Com o plenário ocupado por representantes de sindicatos e categorias, o tema dominou os discursos e expôs o que deputados classificaram como um impasse político, não financeiro.

A principal sinalização veio do líder do governo, deputado Hussein Bakri, que afirmou que o Executivo deve apresentar uma proposta nos próximos dias. “Eu imagino que entre hoje e amanhã nós teremos a definição com dados já, para que vocês possam receber esses números”, disse, ao reconhecer a expectativa dos servidores e a necessidade de votação rápida.

Bakri também indicou que há um esforço interno para cumprir prazos e evitar prejuízos legais e eleitorais. “Se tiver que trabalhar a semana inteira, não tem problema. Nós vamos nos unir aqui para que a gente possa alcançar os prazos e vocês não sofram prejuízo nenhum”, afirmou.

Apesar da sinalização, o discurso deixou claro que a decisão ainda depende de um movimento do Executivo. Isso ficou mais evidente nas falas da oposição, que sustentam que o Estado tem condições fiscais para conceder a reposição, mas falta decisão política.

O deputado Arilson Chiorato foi direto ao apontar esse diagnóstico. “Tem dinheiro na conta, a apresentação do secretário da Fazenda deixou isso claro, tem espaço orçamentário, tem condição fiscal e jurídica. Falta a decisão política do governo do Estado”, afirmou, sob aplausos de servidores presentes no plenário.

Antes dele, o deputado Professor Lemos já havia feito um discurso contundente, organizando as principais reivindicações das categorias. Entre elas, a recomposição salarial, a equiparação de carreiras e a revisão de perdas acumuladas ao longo dos últimos anos.

“Há anos não tem reposição na data-base”, disse. Em outro momento, ampliou a crítica ao impacto das medidas recentes sobre os servidores aposentados. “Foram penalizados com a reforma da Previdência aqui no Estado, cobrando previdência de quem está aposentado e ainda elevando de 11% para 14%”, afirmou.

A presença da APP Sindicato e de representantes de diversas categorias deu o tom da sessão. Segundo Lemos, os trabalhadores já estão em estado de mobilização e aguardam uma resposta concreta do governo. “Essas negociações precisam evoluir, e os projetos precisam chegar aqui na Assembleia”, cobrou.

O clima no plenário foi de alerta. A combinação entre pressão das galerias, discursos mais duros e a proximidade dos prazos legislativos criou um ambiente de urgência. Deputados da base e da oposição chegaram a sinalizar um raro alinhamento em torno da necessidade de avançar na pauta.

Bakri tentou reforçar esse ponto ao afirmar que há um “pacto” entre os parlamentares para viabilizar a votação. “Essa é a nossa determinação, de todos nós aqui, porque quando se trata dos servidores, é uma causa de todos”, declarou.

Ainda assim, o discurso governista evitou antecipar valores ou detalhes da proposta, mantendo a indefinição que tem sido alvo de críticas das entidades sindicais.

Na prática, a sessão escancarou um cenário conhecido, mas agora mais pressionado: de um lado, servidores que acumulam perdas e cobram recomposição imediata; de outro, um governo que reconhece a demanda, mas ainda não apresentou números concretos.

Com a promessa de apresentação de dados nos próximos dias e a necessidade de votação em curto prazo, a data-base entra definitivamente na agenda prioritária da Alep. E, diante do tom da sessão, qualquer proposta abaixo da expectativa das categorias tende a ampliar a tensão já instalada no plenário.

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