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Curitibanos apoiam internação involuntária e defendem intervenção do poder público em situações de risco

Levantamento do Paraná Pesquisas mostra amplo apoio da população de Curitiba à internação involuntária de dependentes químicos

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Moradores de rua
Moradores de rua — Crédito: Reprodução/CGN

A maioria dos moradores de Curitiba apoia a internação involuntária de dependentes químicos em situação de rua quando há risco grave à própria vida ou à de terceiros. É o que aponta a pesquisa de opinião pública realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas entre os dias 22 e 25 de janeiro de 2026, com 802 entrevistados e margem de erro de 3,5 pontos percentuais.

De acordo com o levantamento, 86% dos curitibanos são favoráveis à internação involuntária nessas circunstâncias. Outros 3,1% afirmam que a decisão depende da situação, enquanto 8,4% se dizem contrários. Apenas 2,5% não souberam ou preferiram não opinar. O apoio é majoritário em todos os recortes analisados, incluindo gênero, faixa etária, escolaridade e condição econômica.

Antes mesmo de avaliar o mérito da medida, a pesquisa investigou o grau de conhecimento da população sobre o novo protocolo determinado pelo prefeito Eduardo Pimentel. Segundo os dados, 68,8% dos entrevistados afirmaram já ter tomado conhecimento da decisão, enquanto 31,2% disseram não estar informados. O índice de conhecimento é maior entre pessoas com ensino superior, chegando a 76,2% nesse grupo.

Quando questionados sobre os efeitos práticos da medida, a percepção positiva também prevalece. Para 83,5% dos entrevistados, a internação involuntária, quando aplicada em situações de risco grave, pode contribuir para reduzir a quantidade de dependentes químicos em situação de rua em Curitiba. Apenas 10,5% acreditam que não, enquanto 3,9% avaliam que o impacto ocorreria apenas em partes.

O apoio à política se mantém elevado inclusive entre diferentes faixas etárias. Entre os entrevistados com 60 anos ou mais, por exemplo, 82,9% acreditam que a medida pode ajudar a reduzir a população em situação de rua, percentual semelhante ao registrado entre adultos de meia-idade. Já entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, o índice cai, mas ainda permanece majoritário, em 80,3%.

A pesquisa também mediu o posicionamento da população sobre o papel do Estado em contextos de risco extremo. Para 89,4% dos curitibanos, o poder público deve intervir para proteger a vida da própria pessoa e de terceiros, mesmo que o indivíduo não concorde com o atendimento naquele momento. Apenas 6% discordam dessa atuação, enquanto 2,4% dizem que depende da situação.

Os dados indicam ainda que o apoio à intervenção estatal é mais elevado entre pessoas fora da população economicamente ativa e entre os entrevistados mais velhos, chegando a 93,5% entre os não pertencentes à PEA e 92,7% entre pessoas com 60 anos ou mais.

Realizada com grau de confiança de 95%, a pesquisa utilizou metodologia de entrevistas presenciais, com amostragem estratificada por gênero, idade, escolaridade e nível econômico. Pelo menos 30% dos questionários aplicados passaram por auditoria interna para controle de qualidade, segundo o instituto responsável.

Os resultados revelam um cenário de forte respaldo popular às ações do poder público voltadas à internação involuntária e à proteção da vida em contextos de risco, tema que segue no centro do debate sobre políticas públicas de saúde, segurança e assistência social na capital paranaense.

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