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Conta de luz seguirá mais cara em agosto com manutenção da bandeira amarela

Período de estiagem mantém acionamento de usinas termelétricas e gera cobrança adicional de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos em todo o país

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Quedas de energia tem sido frequentes em Guaratuba
Quedas de energia tem sido frequentes em Guaratuba — Crédito: Copel

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Os consumidores brasileiros continuarão pagando mais pela energia elétrica em agosto. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou nesta sexta-feira (31) que a bandeira tarifária permanecerá amarela pelo quarto mês consecutivo, mantendo o acréscimo de R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos para todos os consumidores atendidos pelo Sistema Interligado Nacional (SIN).

A decisão reflete a continuidade do período seco em grande parte do país, que reduz o volume de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas e obriga o acionamento de usinas termelétricas, cuja geração é mais cara. Esse custo adicional é repassado aos consumidores por meio do sistema de bandeiras tarifárias.

Segundo a Aneel, as condições de geração de energia continuam desfavoráveis em razão da estiagem. Com menos água disponível para movimentar as turbinas das hidrelétricas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisa recorrer com maior frequência às termelétricas para garantir o abastecimento de energia em todo o país.

"A sinalização reflete condições menos favoráveis de geração de energia no país em razão do período seco, quando há redução nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas e necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado", destacou a agência reguladora em nota.

Embora o acréscimo possa parecer pequeno em termos unitários, ele representa um impacto maior para famílias com elevado consumo de energia, além de afetar estabelecimentos comerciais e setores industriais que dependem intensamente do fornecimento elétrico.

Como funciona o sistema de bandeiras

Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias foi desenvolvido para indicar aos consumidores o custo real da geração de energia elétrica no país. Em vez de esperar reajustes anuais nas tarifas, o mecanismo permite que os custos variáveis da produção sejam incorporados mensalmente às contas de luz.

Todos os meses, o Operador Nacional do Sistema Elétrico analisa as condições de geração, os níveis dos reservatórios, a previsão de chuvas e a demanda por energia para definir qual será a estratégia de operação do sistema elétrico brasileiro. A partir dessas informações, a Aneel estabelece a bandeira tarifária que vigorará no mês seguinte.

Quando as condições de geração são favoráveis, vigora a bandeira verde, sem qualquer cobrança adicional na conta de energia. Já em períodos de maior custo de produção, entram em vigor as bandeiras amarela ou vermelha, indicando a necessidade de cobrança extra para cobrir as despesas do sistema.

Atualmente, os valores adicionais são:

  • Bandeira amarela: acréscimo de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos;
  • Bandeira vermelha – Patamar 1: acréscimo de R$ 4,46 por 100 kWh;
  • Bandeira vermelha – Patamar 2: acréscimo de R$ 7,87 por 100 kWh.

Estiagem preocupa setor elétrico

A manutenção da bandeira amarela evidencia os desafios enfrentados pelo setor elétrico durante o período de seca, quando a produção hidrelétrica perde eficiência e aumenta a dependência de fontes de geração mais caras. Apesar disso, especialistas destacam que o sistema brasileiro continua operando de forma segura, sem riscos imediatos para o abastecimento de energia.

A situação também reforça a importância do uso consciente da eletricidade. A própria Aneel recomenda que consumidores adotem medidas para reduzir o desperdício, como desligar aparelhos que não estejam em uso, substituir equipamentos antigos por modelos mais eficientes e aproveitar ao máximo a iluminação natural.

Enquanto persistirem as condições climáticas desfavoráveis e os reservatórios permanecerem abaixo dos níveis considerados ideais, a tendência é que as bandeiras tarifárias continuem refletindo o custo mais elevado da geração de energia. A definição para setembro dependerá da evolução das chuvas e das avaliações mensais realizadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico.

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