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Conta de luz pode subir até 19% no Paraná e população é chamada a opinar em consulta pública

Aumento proposto pela Aneel pressiona famílias e setor produtivo, enquanto debate fica restrito a participação técnica

Eliane Alexandrino · · 4 min de leitura
Conta de energia Copel
Conta de energia Copel — Crédito: Divulgação/Copel

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu consulta pública para discutir o reajuste da tarifa de energia da Copel em 2026, com aumento que pode chegar a 19,15% no Paraná. A proposta, que deve atingir mais de 5,2 milhões de unidades consumidoras, já gera críticas diante do histórico de problemas no fornecimento, especialmente na área rural.

Produtores do Oeste e de outras regiões do Estado relatam prejuízos frequentes causados por quedas e oscilações no fornecimento de energia, com impactos diretos na produção agrícola e pecuária. Em muitos casos, a falta de energia por horas compromete sistemas automatizados, armazenamento e até a sobrevivência de animais.

Durante visita a Cascavel, o governador Ratinho Jr. foi questionado sobre a situação e reconheceu os problemas, afirmando que o Estado tem cobrado respostas da concessionária.

“Estamos acompanhando e cobrando a companhia para dar respostas rápidas. Foram feitas 15 subestações em dois anos e mais de 25 mil quilômetros de rede trifásica”, disse. Ele também citou o programa “Se Liga Aí”, que prevê investimento de R$ 400 milhões, metade do Estado e metade da companhia, para levar rede trifásica até o interior das propriedades.

Apesar das medidas anunciadas, a realidade no campo ainda é de instabilidade. O próprio governo admite a necessidade de melhorar a comunicação com os consumidores e garantir ressarcimento em casos de prejuízo.

Outro ponto levantado é a sobrecarga na rede elétrica provocada pela instalação irregular de sistemas de energia solar. Segundo o governador, há casos de produtores que instalam capacidade acima do permitido, o que pode gerar desequilíbrios no sistema.

Mesmo diante desse cenário, a Aneel avança com a proposta de reajuste tarifário. A consulta pública segue aberta até o dia 22 de maio, com audiência marcada para 29 de abril, em Curitiba. No entanto, o formato técnico do processo limita a participação popular, o que também tem sido alvo de críticas.

O aumento proposto atinge não apenas consumidores residenciais. No meio rural, a alta pode chegar a 18,85%, enquanto setores industriais enfrentam reajustes ainda maiores, com percentuais que podem ultrapassar 50% em algumas categorias de alta tensão.

A Copel afirma que o reajuste é definido pela Aneel e destaca que grande parte da tarifa está relacionada a custos do sistema elétrico nacional e encargos federais. Ainda assim, o impacto direto recai sobre o consumidor.

A previsão é de que a nova tarifa entre em vigor a partir de 24 de junho. Até lá, cresce a cobrança por mais transparência, melhoria no serviço prestado e medidas que realmente reduzam o peso da conta de luz, especialmente para quem já enfrenta prejuízos com falhas no fornecimento.

O que diz a Copel

A Copel afirma que o reajuste da tarifa de energia é definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e que o índice em análise para 2026 é de aproximadamente 19,2%, ainda sujeito à homologação. Segundo a companhia, o percentual inicial poderia chegar a cerca de 26%, mas houve solicitação de mecanismos para reduzir o impacto ao consumidor.

A empresa destaca que apenas uma parte da conta de luz é destinada diretamente à Copel. Cerca de 80% do valor pago pelos consumidores corresponde a custos do sistema elétrico nacional, como compra e transmissão de energia, além de encargos e subsídios definidos pelo governo federal. Os outros 20% são utilizados para operação, manutenção e expansão da rede.

A Copel também argumenta que, mesmo com o reajuste, a tarifa no Paraná permanece entre as mais baixas do Brasil. Outro ponto citado é o aumento dos custos provocado por políticas públicas, como os subsídios à energia solar, que são rateados entre todos os consumidores.

Por fim, a companhia afirma que atua junto à Aneel dentro das regras do setor para minimizar os impactos tarifários e reforça o compromisso com a qualidade do serviço e a segurança energética no Estado.

Foto: Divulgação

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