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Consumo de café cai no Brasil após forte alta de preços, aponta Abic

Mesmo com recuo no consumo, faturamento da indústria cresce e país segue entre os maiores consumidores do mundo

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
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cafpe — Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O consumo de café no mercado brasileiro recuou no último ano, influenciado pela elevação dos preços ao consumidor. Dados divulgados nesta quinta-feira (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Café mostram queda de 2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025, na comparação com o mesmo período anterior.

O volume consumido passou de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas de 60 quilos. O recorde histórico permanece em 2017, quando o consumo interno alcançou 22 milhões de sacas.

No varejo, o preço do café subiu 5,8% ao consumidor em 2025. Segundo a Abic, a alta reflete a volatilidade acumulada dos últimos anos. No período de cinco anos, o preço da matéria-prima avançou 201% no café conilon e 212% no arábica. Já o café nas gôndolas teve aumento de 116%.

Impacto do clima e dos estoques

De acordo com o presidente da Abic, Pavel Cardoso, a elevação dos preços em 2025 está diretamente ligada às dificuldades enfrentadas nas últimas safras, marcadas por problemas climáticos e baixos níveis de estoque.

Segundo ele, desde 2021 houve um desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado global. Eventos climáticos sucessivos comprometeram a produção e reduziram a disponibilidade do produto.

Apesar da queda no consumo, Pavel avalia o resultado de forma positiva. Ele destaca que, mesmo diante de aumentos expressivos nos custos da matéria-prima, o consumo interno se manteve elevado ao longo dos últimos anos, o que demonstra a resiliência do café na rotina dos brasileiros.

Brasil mantém posição de destaque

Mesmo com a redução no volume consumido, o Brasil segue como o segundo maior consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. No consumo per capita, o país supera os norte-americanos. Cada brasileiro consome, em média, cerca de 1,4 mil xícaras de café por ano.

Faturamento cresce e preços devem seguir estáveis

A queda no consumo não impactou negativamente o faturamento da indústria. Em 2025, o setor registrou crescimento de 25,6%, alcançando R$ 46,24 bilhões. Segundo a Abic, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento dos preços no varejo.

Para 2026, a expectativa é de maior estabilidade nos preços, com a entrada de uma safra considerada promissora. A entidade, no entanto, não projeta redução significativa no curto prazo. A queda mais perceptível ao consumidor deve ocorrer apenas após pelo menos duas safras, já que os estoques globais continuam baixos.

Enquanto isso, a indústria aposta em ações promocionais para estimular o consumo. A avaliação é de que, mesmo com menor volatilidade, o cenário ainda não permite cortes expressivos nos preços.

Tarifas e mercado internacional

Outro ponto de atenção é a tributação aplicada pelos Estados Unidos ao café solúvel. Embora o governo norte-americano tenha suspendido, em novembro do ano passado, a tarifa de 40% sobre o café em grão, o produto solúvel segue taxado.

Segundo Pavel Cardoso, a medida continua em discussão e a expectativa do setor é de reversão nos próximos meses.

O presidente da Abic também avalia de forma positiva a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Para ele, o tratado abre novas oportunidades para a indústria brasileira, considerando que o Brasil responde por cerca de 40% da produção mundial de café.

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