🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Gcast
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Conselheiro do TCE-PR é alvo de pedido de afastamento

Fábio Camargo enfrenta pedido de afastamento por suposta parcialidade; caso levanta debates sobre independência do órgão e possíveis motivações políticas

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Conselheiro do TCE-PR é alvo de pedido de afastamento
— Crédito: Reprodução Internet

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), Fábio de Souza Camargo, está no centro de uma controvérsia que pode resultar em seu afastamento de processos envolvendo o governo estadual. O procurador-geral do Paraná, Luciano Borges dos Santos, encaminhou ao TCE-PR um pedido formal para que Camargo seja removido de julgamentos e supervisões relacionados ao Estado e suas autoridades. A solicitação, à qual o portal RIC teve acesso, alega que o conselheiro demonstra "incapacidade de isenção" e parcialidade em suas decisões.
Luciano Borges dos Santos sustenta que Camargo tem utilizado sua posição institucional e suas redes sociais para promover uma "campanha pessoal" contra autoridades estaduais. Um dos exemplos citados é o uso do Instagram pelo conselheiro para convocar servidores públicos a ingressarem com ações judiciais contra o Estado, referentes à revisão geral anual de 2017. O procurador argumenta que tais atitudes "extrapolam qualquer limite do legítimo direito de expressão" e configuram um desvio de finalidade no exercício do cargo.
Além disso, o pedido de afastamento destaca que Camargo teria adotado "posturas e manifestações hostis e rancorosas" contra colegas do plenário e autoridades estaduais. Entre os episódios mencionados está uma declaração do conselheiro durante a posse da nova Cúpula Diretiva do TCE-PR, na qual ele teria insultado o próprio procurador-geral. Outras ocasiões incluem críticas públicas ao governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), a quem Camargo chamou de "muito mal assessorado", e ao secretário da Educação, Roni Miranda, referido como "mal educado" e "péssimo secretário".
O procurador também mencionou a atuação de Camargo no caso do programa Parceiro da Escola, que terceiriza a gestão de unidades da rede pública de ensino. Em novembro, uma decisão do conselheiro interrompeu o andamento do processo, mas foi posteriormente anulada pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Para Luciano Borges, tais ações contrariam o "padrão ético esperado" para um membro do TCE-PR.
Outro ponto levantado foi uma suposta defesa de interesses particulares. Segundo o documento, Camargo teria usado sua posição para questionar um possível bloqueio de bens de sua filha, o que, na visão do procurador, reforça a falta de imparcialidade do conselheiro.
Em entrevista à RPC, Fábio Camargo afirmou que não foi formalmente comunicado sobre o pedido de afastamento. Ele destacou que não guarda "nenhum sentimento negativo" e que trabalha diariamente em favor do Estado. O conselheiro também mencionou que aguarda com serenidade o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para o dia 7 de fevereiro.
Camargo, que está no TCE-PR desde 2013, foi nomeado pelo ex-governador Beto Richa (PSDB) e já ocupou os cargos de corregedor, vice-presidente e presidente da corte. Ele nega as acusações e defende sua conduta como adequada ao exercício do cargo.
O processo corre em segredo de Justiça, e o procurador-geral pede que o presidente do TCE-PR afaste Camargo das atividades de supervisão em inspetorias de fiscalização. A medida, segundo Luciano Borges, é necessária para "garantir o reestabelecimento da imparcialidade" na corte. O documento reforça três argumentos principais: o uso da posição institucional e das redes sociais para promover uma campanha pessoal contra autoridades estaduais. A incapacidade de manter a isenção necessária em processos envolvendo o Estado. Manifestações que ultrapassam os limites do direito de expressão, caracterizando desvio de finalidade no exercício do cargo.
O pedido de afastamento de Fábio Camargo do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), apresentado pelo procurador-geral do Estado, Luciano Borges dos Santos, pode representar uma medida irregular. O TCE-PR é um órgão autônomo, cuja função primordial é fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, e seus conselheiros têm o dever de agir com independência e imparcialidade. Qualquer tentativa de interferência externa que vise influenciar ou comprometer o exercício dessas atribuições pode ser entendida como uma violação dos princípios fundamentais da administração pública, como a legalidade e a impessoalidade.

Quem é Fábio Camargo
Formado Bacharel em Direito pela Universidade Tuiuti do Paraná, Fábio Camargo foi vereador e deputado estadual. Em 2013 renunciou ao mandato no legislativo para assumir a vaga de Conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná. Em 2016, a eleição para a vaga chegou a ser anulada pelo Tribunal de Justiça do Paraná, sob alegação de irregularidades no pleito. Mas um ano depois, o TJ-PR voltou atrás na decisão e legitimou Camargo no TCE-PR. Na casa, o conselheiro ocupou o cargo de corregedor geral (gestão 2017-2018) e vice-presidente, na atual gestão (2019-2020) no TCE-PR. Eleito em sessão ordinária nº 40/2020 por videoconferência, Fábio Camargo tem 47 anos será o presidente mais jovem da história do Tribunal de Contas do Paraná. Ele vai exercer o cargo no biênio 2021-2022.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.