🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Gcast
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

CNI mantém projeção de crescimento de 2% para o PIB e alerta para impacto de juros altos na economia

Entidade aponta que indústria extrativa e agronegócio sustentam a atividade, mas alerta que juros altos, inflação e cenário fiscal limitam uma recuperação mais forte

Gazeta do Paraná · · 4 min de leitura
Indústria
Indústria — Crédito: CNI/José Paulo Lacerda/

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve a projeção de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, indicando que a economia seguirá em trajetória de expansão moderada, sustentada principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços. A estimativa foi divulgada nesta quarta-feira (22), no Informe Conjuntural do segundo trimestre.

Apesar da manutenção da previsão para o PIB, a entidade avalia que o ritmo de crescimento continuará limitado por fatores como juros elevados, inflação persistente, aumento dos custos de produção e avanço das importações, que reduzem a competitividade da indústria nacional.

Segundo o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, a economia continuará sendo impulsionada pelos setores ligados às commodities e pelos estímulos à demanda. No entanto, ele ressalta que a política monetária restritiva e as incertezas fiscais impedem uma aceleração mais consistente da atividade econômica.

A confederação também revisou para cima a projeção da inflação oficial, medida pelo IPCA, que passou de 4,4% para 5%. A expectativa é de que alimentos, combustíveis e os serviços continuem pressionando os preços ao consumidor ao longo do ano.

Na área fiscal, a avaliação é de que, apesar da expectativa de aumento de 5,8% na arrecadação federal acima da inflação, o crescimento das despesas públicas — estimado em 4,5% — manterá as contas do governo deficitárias. A CNI projeta déficit primário de R$ 55,3 bilhões em 2026 e dívida pública equivalente a 82% do PIB.

A indústria teve sua perspectiva revisada para cima, com expectativa de crescimento de 2,1%, ante projeção anterior de 1,6%. O principal destaque continua sendo a indústria extrativa, cuja estimativa saltou de 7,8% para 9,1%, favorecida pelo aumento da produção de petróleo e pela menor sensibilidade aos juros elevados.

Já a indústria de transformação permanece em cenário desafiador. A previsão de crescimento passou de 0,3% para apenas 0,6%, refletindo os impactos do aumento das importações, dos custos de produção elevados e dos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio. De acordo com a CNI, apenas sete dos 24 segmentos industriais apresentam expectativa de crescimento.

Na construção civil, a projeção subiu de 1,3% para 1,5%, impulsionada por programas de crédito habitacional e investimentos em infraestrutura.

O agronegócio também teve revisão positiva. A expectativa de crescimento passou de 1,1% para 1,8%, sustentada pela previsão de uma nova safra recorde de soja e pelo avanço da produção animal, mesmo diante do aumento dos custos de fertilizantes e outros insumos.

Em contrapartida, o setor de serviços teve a projeção reduzida de 2,1% para 1,9%. Embora o mercado de trabalho e o varejo continuem dando suporte à atividade, o aumento da inadimplência das famílias, o maior endividamento e os juros elevados reduziram as perspectivas para o segmento.

No cenário monetário, a CNI passou a prever uma queda mais lenta da taxa Selic. A expectativa agora é de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026, levando os juros básicos de 14,25% para 13,75% ao ano até o fim do período. A entidade estima que os juros reais permaneçam em torno de 9,2%, muito acima do chamado juro neutro, calculado em 5%, mantendo a política monetária em nível restritivo.

No ambiente internacional, a guerra no Oriente Médio segue como o principal fator de risco para a economia brasileira, devido aos impactos sobre os preços de combustíveis, energia e fertilizantes. Além disso, a CNI demonstra preocupação com o avanço das importações de bens de consumo e com a possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o que poderá afetar o desempenho das exportações nos próximos meses. Mesmo assim, a entidade projeta superávit comercial de US$ 77,9 bilhões em 2026, com exportações de US$ 383,9 bilhões e importações de US$ 306 bilhões.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.