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Chumbo, silêncio e abandono: contaminação em Adrianópolis volta à tona com denúncia de risco atual

Quase 30 anos após o fim da mineração, indícios de contaminação persistente levantam dúvidas sobre omissão do poder público e abandono de vítimas no Vale do Ribeira

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
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. — Crédito: Reprodução

A contaminação por chumbo em Adrianópolis, na Região Metropolitana de Curitiba, voltou ao centro das atenções com um alerta que muda o eixo do problema. Não se trata mais apenas de um passivo ambiental do passado. Há indícios de que a exposição pode continuar afetando moradores até hoje.

O caso tem origem nas atividades da mineradora Plumbum, que operou na região até 1995 explorando chumbo e outros metais. O encerramento das operações não significou o fim dos impactos. Pelo contrário, abriu um capítulo de incerteza que se arrasta há quase três décadas.

Agora, o alerta feito pelo deputado Goura recoloca o tema sob uma perspectiva mais grave. Se confirmado, o cenário deixa de ser um problema histórico para se tornar uma crise de saúde pública em curso.

Moradores da região relatam, há anos, doenças associadas à exposição a metais pesados. Problemas neurológicos, renais e outras complicações aparecem com frequência nos relatos locais. A expressão “fábrica de viúvas”, usada por habitantes para descrever o período de atividade da mineradora, revela a dimensão do impacto percebido pela própria população.

O que chama atenção é que, mesmo após décadas, as respostas institucionais seguem incompletas. Existem ações judiciais em andamento desde os anos 1990 buscando compensação às vítimas e ao município. Até hoje, não houve desfecho capaz de encerrar o caso de forma definitiva.

O tempo da Justiça não acompanha o tempo da contaminação. O chumbo se acumula no organismo, especialmente em crianças, e seus efeitos podem durar toda a vida. A demora em solucionar o problema amplia os danos e perpetua um ciclo de exposição e vulnerabilidade.

A situação se agrava pelo contexto social da região. Adrianópolis está inserida no Vale do Ribeira, área que reúne alguns dos menores índices de desenvolvimento humano do Paraná. Ao mesmo tempo, é um dos territórios mais ricos em biodiversidade do país, com áreas de Mata Atlântica preservada e comunidades tradicionais.

Entre esses territórios está o Parque Estadual das Lauráceas, uma das maiores unidades de conservação do estado. A coexistência entre riqueza ambiental e fragilidade social expõe um padrão conhecido. Regiões com menor poder de pressão política acabam absorvendo os custos de atividades econômicas de alto impacto.

O novo alerta levanta uma questão direta. O que foi feito, na prática, para eliminar os riscos deixados pela mineração? E mais, o que está sendo feito agora para verificar se a contaminação continua?

Até o momento, não há um posicionamento detalhado do governo do Estado sobre a existência ou não de focos ativos de contaminação. Também não há ampla divulgação de monitoramentos recentes que indiquem a situação atual do solo, da água e da população.

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