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China amplia presença financeira na África e avança em uso do yuan no comércio internacional

Expansão do yuan na África avança com novas parcerias financeiras, mas uso da moeda chinesa ainda é limitado e não ameaça hegemonia do dólar

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Dólar
Dólar — Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

A China vem intensificando sua estratégia de expansão da infraestrutura financeira na África como parte de um esforço gradual para reduzir a dependência do dólar nas transações globais. A iniciativa permite que parte do comércio entre o gigante asiático e países africanos seja realizado em moedas locais e no yuan, também chamado de renminbi, embora o avanço ainda seja considerado limitado.

No fim de junho, o Banco Popular da China Banco Popular da China autorizou uma nova modalidade de pagamentos em yuan diretamente pelo Standard Bank, maior grupo bancário do continente africano, em parceria com o ICBC. A medida amplia a possibilidade de liquidação de operações comerciais entre empresas chinesas e africanas sem a necessidade de conversão para o dólar.

Segundo o Standard Bank, presente em 21 países africanos, a integração “coloca a instituição em uma posição única para lidar com o renminbi”, facilitando pagamentos e recebimentos em yuan e fortalecendo o fluxo comercial entre África e China.

A China já é a principal parceira comercial do continente africano. Entre 2000 e 2024, o comércio bilateral cresceu em média 14% ao ano, de acordo com a Administração Geral de Alfândegas chinesa. Em maio, Pequim também anunciou a isenção de tarifas para importações de produtos africanos, medida que tende a ampliar ainda mais essa relação.

Apesar do avanço, o uso do yuan no comércio internacional ainda é restrito. O analista geopolítico Marco Fernandes, do Conselho Popular do Brics BRICS, avalia que a China está construindo uma infraestrutura financeira global, mas sem pressa para substituir o dólar. “O montante negociado em yuan ainda é irrelevante diante da economia global, mas é como se fossem os trilhos para um trem-bala no futuro”, afirmou.

Dados apontam que o yuan representa cerca de 8,5% das transações globais, ocupando a quinta posição entre as moedas mais usadas no comércio internacional. Mesmo assim, commodities como energia e alimentos seguem majoritariamente precificadas em dólar, o que mantém a hegemonia da moeda norte-americana.

O debate sobre a chamada “desdolarização” também envolve disputas geopolíticas. Enquanto países do Sul Global defendem a redução da dependência do dólar, os Estados Unidos mantêm sua posição de liderança financeira, com o tema sendo alvo de resistência política em Washington.

Segundo especialistas, a China também adota cautela no processo. Além de manter grandes reservas em dólar, o país evita abrir totalmente sua conta de capitais, o que poderia expor seu sistema financeiro à volatilidade global. “O processo precisa ser lento, gradual e seguro”, avalia Fernandes.

Para o economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do banco do Brics, mesmo com a expansão das redes de pagamento em yuan, a substituição do dólar ainda não é prioridade para Pequim. Ele defende, como alternativa, a criação de uma moeda de referência baseada em uma cesta de moedas do Sul Global para o comércio internacional.

No cenário atual, a expansão do yuan na África é vista como um movimento estratégico de longo prazo, que fortalece a presença chinesa no continente, mas ainda distante de alterar a estrutura dominante do sistema financeiro global.

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