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Cesta básica sobe em 17 capitais e salário mínimo ideal ultrapassa R$ 8 mil, aponta Dieese

Alta foi puxada principalmente pelo aumento dos preços do feijão, arroz, carne e leite; em São Paulo, a cesta básica chegou a R$ 965,47

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Cesta básica
Cesta básica — Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A alta no preço dos alimentos voltou a pesar no bolso dos brasileiros. Em junho, o custo da cesta básica aumentou em 17 capitais do país, impulsionado principalmente pela elevação dos preços de itens essenciais, como feijão, arroz, carne bovina e leite. O levantamento é da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A maior alta foi registrada em Boa Vista, onde a cesta ficou 3,28% mais cara em relação ao mês anterior. Na sequência aparecem Palmas, com aumento de 3,01%, Rio Branco (2,20%) e Porto Alegre (2,18%).

Apesar do avanço na maior parte das capitais, algumas cidades apresentaram queda nos preços. João Pessoa liderou as reduções, com recuo de 3,97%, seguida por Recife (-3,62%) e Maceió (-3,61%).

Embora as variações mensais tenham sido diferentes entre as regiões, o cenário no acumulado do ano é de aumento generalizado. Nos seis primeiros meses de 2026, todas as capitais pesquisadas registraram alta no custo da cesta básica. Os reajustes variaram de 4,02%, em São Luís, até expressivos 21,48% em Fortaleza, demonstrando que a inflação dos alimentos continua pressionando o orçamento das famílias.

Segundo o Dieese, o principal responsável pela alta em junho foi o feijão, que ficou mais caro em todas as cidades pesquisadas. A valorização do produto está relacionada à redução da área plantada e aos problemas climáticos que prejudicaram a primeira e a segunda safras.

Além do feijão, também registraram aumento os preços do arroz agulhinha, da carne bovina de primeira e do leite integral, produtos que fazem parte da alimentação diária da maior parte dos brasileiros.

Entre as capitais pesquisadas, São Paulo manteve a cesta básica mais cara do país, com custo médio de R$ 965,47. Em seguida aparecem Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94) e Florianópolis (R$ 918,42).

Já os menores custos foram registrados nas capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente da utilizada nas demais regiões. Aracaju apresentou o menor valor médio, de R$ 630,40, seguida por São Luís (R$ 654,73), Maceió (R$ 671,41) e Natal (R$ 686,07).

O levantamento também traz uma estimativa sobre o valor que o salário mínimo deveria ter para garantir as despesas básicas de uma família de quatro pessoas, conforme prevê a Constituição Federal. Considerando o custo da cesta básica mais cara do país, registrado em São Paulo, o Dieese calcula que o salário mínimo necessário em junho seria de R$ 8.110,92.

O valor é praticamente cinco vezes superior ao salário mínimo vigente, de R$ 1.621, evidenciando a distância entre a renda da maior parte dos trabalhadores brasileiros e o custo de vida. Na avaliação do Dieese, além da alimentação, esse cálculo leva em consideração gastos essenciais com moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência, reforçando o impacto que a inflação dos alimentos continua exercendo sobre o orçamento das famílias.

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