🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Result
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Caso Evandro vira referência nacional após decisão de Fachin no CNJ

Ao criar um laboratório para prevenir erros judiciais, Edson Fachin transforma o Caso Evandro de símbolo de injustiça em marco institucional, após a revisão que reconheceu tortura e declarou a inocência dos acusados

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Caso Evandro
Caso Evandro — Crédito: Reprodução

O Caso Evandro, um dos mais graves e emblemáticos erros judiciais da história brasileira, voltou a ocupar posição central no debate institucional após decisão do presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, que instituiu o Laboratório de Justiça Criminal, Reparação e Não Repetição de Erros Judiciais. A criação do colegiado ocorre diretamente na esteira da revisão criminal que anulou as condenações relacionadas ao caso ocorrido em Guaratuba, no litoral do Paraná, e que reconheceu oficialmente práticas como tortura, manipulação de provas e violação sistemática do devido processo legal.

 

A resolução assinada por Fachin estabelece um espaço permanente dentro do CNJ para analisar decisões judiciais marcadas por erros estruturais, com atenção especial a casos revistos pelo Supremo Tribunal Federal, pelo Superior Tribunal de Justiça e por instâncias internacionais de direitos humanos. Entre os integrantes do laboratório está o desembargador Adalberto Jorge Xisto Pereira, relator da revisão criminal do Caso Evandro no Tribunal de Justiça do Paraná. A presença do magistrado reforça o vínculo direto entre a decisão histórica do TJPR e a iniciativa nacional liderada pelo CNJ.

 

A decisão que anulou as condenações do Caso Evandro foi além da absolvição formal dos réus. Ao reconhecer que o processo foi contaminado por ilegalidades graves desde a fase investigativa, o tribunal paranaense expôs falhas institucionais profundas do sistema de justiça criminal. Esse diagnóstico é justamente o ponto de partida do laboratório criado por Fachin: transformar casos paradigmáticos de erro judicial em instrumentos de aprendizado institucional, capazes de orientar políticas de prevenção, reparação e responsabilização do Estado.

 

É nesse contexto que se insere a manifestação pública de Beatriz Abagge, uma das pessoas que tiveram a inocência reconhecida após mais de três décadas. Em publicação nas redes sociais, ela interpreta a criação do laboratório como um reconhecimento explícito da centralidade do Caso Evandro na construção de uma nova postura do Judiciário. Para Beatriz, o convite ao relator da revisão criminal simboliza o compromisso institucional com a verdade e com a não repetição de erros que, segundo ela, “destroem vidas”.

 

O Caso Evandro: do erro judicial ao reconhecimento da inocência

O Caso Evandro teve início em 1992, após o desaparecimento e a morte do menino Evandro Ramos Caetano, de seis anos, em Guaratuba. Sob intensa pressão social e política, sete pessoas foram acusadas de envolvimento em um suposto crime ritualístico. As investigações e o processo criminal foram marcados por confissões obtidas sob tortura, ausência de provas técnicas consistentes e violações reiteradas de garantias fundamentais.

 

Durante décadas, as condenações permaneceram como símbolo de um Judiciário que se recusava a revisar seus próprios atos. Esse cenário começou a mudar com a revelação de gravações que comprovaram a prática de tortura durante interrogatórios, o que levou ao pedido de revisão criminal. Em 2023, o Tribunal de Justiça do Paraná anulou as condenações e reconheceu oficialmente as ilegalidades do processo, declarando a inocência dos acusados, entre eles Beatriz Abagge.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.