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Cascavel capacita agentes de Endemias para implantação de Método Wolbachia

Tecnologia utiliza mosquitos com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus no Aedes aegypti, reduzindo sua capacidade de transmitir as doenças

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Wolbacchia
Wolbacchia — Crédito: Secom

Cerca de 50 agentes de Endemias participaram nesta quarta-feira (19) de um treinamento para atuar na implantação do Método Wolbachia em Cascavel. A capacitação marca uma nova etapa do projeto, que utiliza uma estratégia de controle do Aedes aegypti para reduzir a transmissão de dengue, Zika e chikungunya.

A formação é realizada pela equipe responsável pelo projeto e prepara os profissionais para o manuseio e a instalação dos Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs), que serão utilizados para a implantação dos mosquitos com Wolbachia no município.

Segundo a gerente da Vigilância em Saúde Ambiental, Clair Wagner, a previsão é que a instalação dos dispositivos comece na segunda quinzena de setembro. “Estamos realizando a capacitação dos agentes de Endemias que atuarão no Metodo Wolbachia, implementado em nosso município. Iniciamos as tratativas com a Fiocruz e com a Wolbito no final de 2025, e estamos agora na etapa de treinamento”, explica Clair.

Ao todo, serão aproximadamente 6 mil dispositivos distribuídos pela cidade. Os DLOs receberão cápsulas com ovos do Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. Em contato com a água, os ovos iniciam o ciclo de desenvolvimento do mosquito.

A Wolbachia é uma bactéria naturalmente presente em diversos insetos e, no Aedes aegypti, impede que os vírus da dengue, Zika e chikungunya se desenvolvam no organismo do mosquito. Dessa forma, os mosquitos com a bactéria apresentam capacidade reduzida de transmitir essas doenças.

A implementação será acompanhada pelas equipes da Vigilância em Saúde Ambiental. Os dispositivos serão monitorados semanalmente pelos agentes e, prioritariamente, instalados em árvores localizadas em vias públicas.

A orientação é para que os moradores não retirem os dispositivos dos locais onde forem instalados. Caso algum seja encontrado caído ou danificado, a população deve entrar em contato com a Vigilância em Saúde Ambiental pelo telefone (45) 3902-1343, para que a equipe faça o recolhimento.

Em locais com pouca arborização ou em situações específicas, poderá ser necessária a instalação dos dispositivos dentro de imóveis. Nesse caso, o acesso aos quintais será realizado somente com autorização dos moradores. “Para segurança de todos, nossas equipes estarão devidamente uniformizadas, identificadas com crachás e utilizando veículos da frota municipal”, explica Clair.

O trabalho será realizado pela equipe que participa do treinamento, enquanto os demais agentes de endemias continuarão normalmente com as atividades de rotina.

Como funciona o Método Wolbachia
O Método Wolbachia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. Quando esses mosquitos se reproduzem, a bactéria é transmitida para as próximas gerações, permitindo que sua presença aumente gradualmente na população local.

O objetivo é que, ao longo do tempo, os mosquitos com Wolbachia substituam progressivamente os Aedes aegypti que circulam naturalmente na região. A estratégia não utiliza produtos químicos e os mosquitos não são geneticamente modificados.

Em Cascavel, o projeto contempla 18 bairros, alcançando uma população estimada em 215.318 pessoas. 

O Método Wolbachia é conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, e operado pela Wolbito do Brasil. A estratégia já é utilizada em diferentes cidades do Brasil e de outros países.

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