🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Result
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Cascavel assume parte do licenciamento ambiental e pressão sobre fiscalização aumenta

Descentralização promete agilizar processos, mas levanta preocupação sobre estrutura técnica dos municípios e risco de flexibilização ambiental

Eliane Alexandrino · · 3 min de leitura
IAT amplia poder sobre licenciamento ambiental
IAT amplia poder sobre licenciamento ambiental — Crédito: Divulgação

O Instituto Água e Terra (IAT) ampliou a política de descentralização do licenciamento ambiental no Paraná e transferiu para municípios como Cascavel parte das responsabilidades relacionadas à análise, monitoramento e fiscalização de empreendimentos com impacto ambiental local.

A medida foi formalizada por meio da Resolução CEMA nº 138/2026 e redefine o escopo das atividades ambientais que poderão ser autorizadas diretamente pela prefeitura cascavelense. Na prática, processos que antes dependiam da análise técnica do Estado passam agora a ser conduzidos pela administração municipal.

Embora o governo estadual apresente a mudança como forma de agilizar os procedimentos ambientais e reduzir a burocracia, especialistas e setores ligados à área ambiental alertam para os riscos de uma descentralização sem ampliação proporcional da estrutura técnica e da fiscalização independente nos municípios.

O discurso oficial sustenta que a transferência permitirá desafogar o IAT e acelerar licenciamentos considerados de menor complexidade. A própria diretora de Licenciamento e Outorga do instituto, Ivonete Coelho da Silva Chaves, afirmou que a intenção é liberar técnicos estaduais para atuar em processos mais complexos.

Nos bastidores, porém, cresce a preocupação sobre a capacidade operacional de algumas prefeituras para assumir funções técnicas sensíveis, especialmente em cidades pressionadas por expansão urbana, interesses imobiliários e demandas econômicas locais.

Cascavel recebeu certificação parcial dentro das tipologias previstas pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (CEMA). Mesmo assim, o município ainda não terá autorização para atuar em áreas como extração mineral, parte dos empreendimentos imobiliários, atividades agropecuárias, serviços específicos de infraestrutura e atividades florestais.

A descentralização ambiental ocorre em um momento de forte crescimento urbano e industrial em diversas regiões do Paraná, cenário que aumenta a pressão sobre órgãos ambientais e amplia os debates sobre equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

Outro ponto que gera questionamentos é a possibilidade de aumento da influência política local sobre decisões ambientais. Com a prefeitura passando a concentrar parte dos processos de licenciamento, entidades ambientais temem que interesses econômicos e políticos regionais possam ganhar mais peso sobre análises técnicas.

Apesar das críticas, o IAT afirma que os municípios só recebem autorização após comprovação de capacidade técnica, estrutura administrativa e qualificação das equipes responsáveis pelos licenciamentos.

Os processos em Cascavel passarão a tramitar pelo Sistema de Gestão Ambiental (SGA), plataforma eletrônica do Governo do Paraná utilizada para centralizar procedimentos ambientais.

Atualmente, municípios como Curitiba, Maringá, Londrina e Guarapuava possuem certificação integral para executar as atividades previstas na legislação ambiental estadual.

Já cidades como Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Colombo e Pinhais operam com certificações parciais, conforme critérios definidos pelo CEMA.

A descentralização segue as diretrizes da Lei Complementar Federal nº 140/2011, que prevê cooperação entre União, estados e municípios na gestão ambiental. Ainda assim, a ampliação das atribuições municipais reacende o debate sobre até que ponto as prefeituras possuem independência técnica, equipe suficiente e estrutura adequada para fiscalizar atividades potencialmente poluidoras sem comprometer o rigor ambiental.

Foto: Divulgação

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.