🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Gcast
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Capitão Leônidas Marques entra na mira do MP após suspeita de superfaturamento em serviços de máquinas

Promotoria identificou indícios de superfaturamento, atestos genéricos, ausência de controles operacionais e falta de comprovantes de serviços custeados com recursos públicos

Eliane Alexandrino · · 4 min de leitura
Prefeitura de Capitão Leônidas Marques
Prefeitura de Capitão Leônidas Marques — Crédito: Divulgação

A Prefeitura de Capitão Leônidas Marques, no Oeste do Paraná, foi obrigada a rescindir contratos de prestação de serviços de horas-máquina após recomendação do Ministério Público do Paraná (MPPR), que identificou uma série de indícios de irregularidades na execução e fiscalização dos contratos firmados pelo município.

A atuação do MPPR teve início após o recebimento de denúncias relatando a existência de um suposto esquema de superfaturamento envolvendo a medição de horas trabalhadas por máquinas pesadas e a emissão de atestos de execução considerados fictícios. Os contratos investigados envolvem três instrumentos administrativos firmados com duas empresas contratadas pelo município para a realização de serviços em obras públicas e também em propriedades particulares, conforme previsão da legislação municipal.

Durante a apuração preliminar, a Promotoria de Justiça constatou que os documentos utilizados para comprovar a execução dos serviços apresentavam falhas consideradas graves. Os chamados “Relatórios de Prestação de Serviços”, que serviam de base para a liberação dos pagamentos, continham descrições genéricas e eram assinados por secretários municipais sem o acompanhamento de documentos básicos de controle operacional.

Segundo o MPPR, não foram apresentados diários de bordo das máquinas, registros de horímetro indicando o início e o fim das operações, controles de produtividade, comprovantes de abastecimento, identificação dos operadores dos equipamentos ou informações precisas sobre os locais onde os serviços teriam sido executados.

A falta desses documentos chamou a atenção dos promotores porque inviabiliza a verificação efetiva da quantidade de horas trabalhadas, dificultando a comprovação dos serviços pagos com recursos públicos.

Empresa admitiu ausência de controles

Um dos fatos que mais preocupou o Ministério Público foi a manifestação formal de uma das empresas contratadas. Em resposta aos questionamentos da Promotoria, a empresa declarou que não mantinha controle de diário de bordo, escalas de operação ou registros individualizados de abastecimento dos equipamentos utilizados nos contratos.

Para o MPPR, a informação reforça a existência de vulnerabilidades na fiscalização contratual exercida pelo município e evidencia o risco de pagamentos sem a devida comprovação dos serviços efetivamente prestados.

Serviços em propriedades particulares

Outro ponto levantado pela investigação envolve a utilização de milhares de horas-máquina em propriedades privadas e serviços particulares realizados com recursos custeados pelo município.

Embora a prestação desse tipo de serviço esteja prevista na Lei Municipal nº 2.101/2015, a Promotoria verificou a ausência dos comprovantes de recolhimento dos valores que deveriam ser pagos pelos beneficiários dos serviços. Os documentos não foram apresentados sob a justificativa de que o sistema responsável pelo armazenamento das informações estaria em manutenção.

Para o Ministério Público, a falta desses registros impede verificar se houve a devida contrapartida financeira dos particulares atendidos e abre espaço para possíveis prejuízos ao erário.

Risco de improbidade administrativa

Na recomendação administrativa encaminhada ao prefeito e aos secretários municipais de Agricultura e Obras, o MPPR alertou que a realização de pagamentos sem mecanismos adequados de fiscalização pode caracterizar liberação irregular de recursos públicos.

O documento ressalta que a ausência de comprovação da efetiva execução dos serviços ou da contraprestação financeira dos beneficiários particulares pode, em determinadas circunstâncias, configurar ato de improbidade administrativa.

Contratos rescindidos

Após a recomendação ministerial, o Município de Capitão Leônidas Marques comunicou oficialmente ao MPPR que rescindiu os contratos que ainda estavam em vigor e apresentou documentação comprovando a medida.

A administração municipal também informou que iniciou um processo de revisão e aperfeiçoamento dos mecanismos de controle interno, fiscalização e rastreabilidade dos serviços prestados por máquinas pesadas, com o objetivo de evitar novas irregularidades.

Embora os contratos tenham sido encerrados, as apurações seguem sob acompanhamento do Ministério Público, que continuará analisando a documentação reunida para verificar a existência de eventuais responsabilidades civis, administrativas ou até mesmo criminais decorrentes dos fatos investigados.

O caso reacende o debate sobre a fiscalização dos contratos públicos e o controle da aplicação dos recursos municipais, especialmente em serviços cuja comprovação depende de registros técnicos detalhados e monitoramento permanente da execução.

Foto: Divulgação

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.