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Câmara de Cascavel cria Dia Municipal de Conscientização sobre o Alzheimer, de autoria do vereador João Diego

Projeto aprovado por unanimidade prevê ações de informação, diagnóstico precoce e apoio às famílias; Brasil pode chegar a 5,7 milhões de pessoas com demência até 2050

Eliane Alexandrino · · 4 min de leitura
Vereador João Diego
Vereador João Diego — Crédito: Divulgação

A Câmara de Vereadores de Cascavel aprovou por unanimidade, nesta segunda-feira (6), o Projeto de Lei nº 46/2026, que institui o Dia Municipal de Conscientização da Doença de Alzheimer. A proposta, de autoria do vereador João Diego (Republicanos), recebeu os 19 votos favoráveis dos parlamentares e passa a integrar o calendário oficial do município.

A data será celebrada em 21 de setembro, acompanhando o Dia Mundial de Conscientização sobre o Alzheimer. Segundo o autor do projeto, o objetivo é ampliar o debate sobre a doença, incentivar o diagnóstico precoce, combater o preconceito e promover campanhas de orientação à população.

Durante a discussão, João Diego destacou que a doença vai muito além dos esquecimentos ocasionais. "O Alzheimer vai apagando pouco a pouco a memória, a autonomia e até a identidade da pessoa. E quem sofre não é apenas o paciente. Toda a família sofre junto", afirmou.

O vereador ressaltou ainda que muitos familiares precisam abandonar parte da rotina e até do trabalho para assumir os cuidados diários do paciente, motivo pelo qual defendeu maior valorização dos cuidadores e o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao acolhimento dessas famílias.

A discussão mobilizou diversos parlamentares, que relataram experiências pessoais com a doença. O vereador Valdecir Alcântara contou que acompanhou toda a evolução do Alzheimer da mãe, diagnosticada em 2011, desde os primeiros esquecimentos até o período em que ficou acamada. Segundo ele, o impacto emocional sobre a família é tão grande quanto o enfrentado pelo paciente.

Também emocionado, o vereador Rondinelli Batista relatou que convive com a doença da mãe desde 2010 e destacou a necessidade de ampliar o apoio aos cuidadores, responsáveis por acompanhar diariamente pessoas que, em estágios mais avançados, deixam de reconhecer familiares e passam a depender de auxílio para atividades básicas.

Já o vereador Hudson Moreschi chamou a atenção para a dificuldade do diagnóstico no Brasil. Segundo ele, cerca de 9% das pessoas acima de 60 anos convivem com algum tipo de demência, mas aproximadamente oito em cada dez casos ainda não recebem diagnóstico formal.

Com a aprovação da proposta, a expectativa é que o município desenvolva campanhas permanentes de conscientização, estimule o diagnóstico precoce e fortaleça o debate sobre políticas públicas destinadas às pessoas com Alzheimer e seus familiares.

Panorama nacional

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo, respondendo por cerca de 60% dos casos. No Brasil, estima-se que entre 1,2 milhão e 1,8 milhão de pessoas convivam com a enfermidade, embora a maioria ainda não tenha recebido diagnóstico.

Atualmente, cerca de 8,5% da população brasileira com mais de 60 anos apresenta algum tipo de demência. O principal desafio continua sendo o subdiagnóstico: aproximadamente 80% dos idosos afetados ainda não possuem confirmação da doença.

Com o envelhecimento da população, a projeção é de forte crescimento nos próximos anos. A expectativa é que o Brasil tenha entre 5,6 milhões e 5,7 milhões de pessoas com Alzheimer ou outras demências até 2050, aumentando a demanda por atendimento especializado e suporte às famílias.

O que é a doença

Descrita pela primeira vez em 1906 pelo médico alemão Alois Alzheimer, a doença é uma condição neurodegenerativa causada pelo acúmulo anormal de proteínas no cérebro, principalmente beta-amiloide e tau. Ainda não existe cura, mas medicamentos disponíveis, inclusive pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ajudam a retardar a progressão dos sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Os primeiros sinais costumam surgir após os 65 anos e incluem perda da memória recente, repetição frequente de perguntas, dificuldade para lembrar compromissos e desorientação em locais conhecidos. Com a evolução da doença, o paciente passa a depender de terceiros para administrar medicamentos, finanças e, posteriormente, para atividades básicas, como alimentação, higiene e locomoção.

Especialistas reforçam que a demência não faz parte do envelhecimento natural. Esquecimentos persistentes, dificuldade de raciocínio, alterações de comportamento e perda da autonomia devem ser investigados por profissionais de saúde para que o tratamento seja iniciado o mais cedo possível.

Foto: Divulgação

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