🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Corbélia
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo
bittar
bittar — Crédito: TV Senado/Reprodução

Sabatina de Jorge Messias: Declaração de senador sobre Caetano Veloso gera revolta e reação no Senado

Em fala durante análise da indicação de Jorge Messias ao STF, Marcio Bittar (PL) acusa cantor de ações armadas; registros históricos confirmam apenas prisão e exílio de Caetano por atuação artística

Gabriel Porta · · 4 min de leitura

Uma declaração feita pelo senador Marcio Bittar (PL-AC) durante sabatina no Senado Federal gerou reação imediata de parlamentares ao envolver o nome do cantor Caetano Veloso e o período da ditadura militar no Brasil. O episódio ocorreu durante a análise da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

Durante sua fala, Bittar afirmou que Caetano Veloso teria participado de ações armadas contra o regime militar. A declaração foi prontamente contestada pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que rebateu: “Caetano nunca pegou em armas, só pegou a vida inteira em violão”.

Registros históricos oficiais indicam que Caetano Veloso foi preso em 1968, sob acusação de subversão e incitação à desordem, em razão de sua atuação artística no contexto do movimento tropicalista. Não há qualquer evidência de envolvimento com luta armada ou participação em organizações guerrilheiras. Em 1969, o artista deixou o Brasil e passou a viver no exílio, em Londres, onde permaneceu até 1972.

A declaração repercutiu no meio político e cultural por tratar de um dos períodos mais sensíveis da história recente do país e por envolver uma figura amplamente reconhecida da música brasileira.

Quem é Jorge Messias

A sabatina que originou o episódio analisa a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o STF. Ele foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar a vaga aberta após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Messias tem 45 anos, é natural de Pernambuco e integra o governo federal desde o início da atual gestão, em 2023. Antes disso, participou da equipe de transição do presidente eleito e construiu carreira como servidor público, com atuação em órgãos como Banco Central e BNDES.

Ao longo da trajetória, ocupou cargos estratégicos no Executivo federal, incluindo a função de subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República e posições técnicas nos ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia. Também atuou como procurador da Fazenda Nacional, função voltada à cobrança de dívidas fiscais.

No comando da Advocacia-Geral da União, Messias tem papel central na defesa jurídica do governo federal. Entre as principais frentes de atuação estão ações no STF relacionadas à política fiscal, como a tentativa de manter o decreto que elevou as alíquotas do IOF, além da defesa institucional diante de embates entre Executivo e Legislativo.

Atuação e temas sensíveis

Outro eixo relevante da atuação de Messias envolve a regulamentação das redes sociais. A AGU, sob sua gestão, participou de iniciativas para exigir maior responsabilidade das plataformas digitais no combate à desinformação e a discursos considerados ilegais.

Um dos episódios recentes foi a notificação enviada à empresa Meta, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, solicitando esclarecimentos sobre medidas de combate a crimes como racismo e homofobia após mudanças em políticas internas da companhia.

Além disso, o ministro também se posicionou publicamente em defesa das instituições brasileiras diante de episódios internacionais. Em 2025, após sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, Messias afirmou que o Brasil adotaria medidas para proteger sua soberania.

O episódio também resultou na revogação do visto norte-americano de autoridades brasileiras, incluindo o próprio advogado-geral da União.

Relação política e apoio

Considerado um nome de confiança do presidente Lula, Messias mantém proximidade com o núcleo político do governo desde a gestão de Dilma Rousseff, quando atuou na Presidência da República.

Nos últimos anos, também foi utilizado pelo governo como interlocutor com lideranças religiosas, especialmente no diálogo com a bancada evangélica no Congresso. Ele participou de reuniões com representantes do segmento no Palácio do Planalto e recebeu apoio de parte desses parlamentares para sua indicação ao STF.

Carreira e formação

Formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e mestre pela Universidade de Brasília, Messias construiu carreira técnica no setor público. Sua atuação inclui passagens por áreas jurídicas e administrativas em diferentes órgãos federais, com foco em regulação, consultoria jurídica e representação da União.

A indicação ao STF ainda depende de aprovação do Senado Federal, após sabatina e votação em plenário. O episódio envolvendo a declaração sobre Caetano Veloso ocorreu justamente nesse contexto, evidenciando a tensão política que marca o processo.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.