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Cadeia do leite manifesta preocupação com proposta de redução da jornada de trabalho

Setor alerta para impacto em mais de 1 milhão de propriedades e risco de desabastecimento, inflação e êxodo rural

Eliane Alexandrino · · 3 min de leitura
Cadeia do leite manifesta redução da jornada
Cadeia do leite manifesta redução da jornada — Crédito: Divulgação

A cadeia produtiva do leite no Brasil manifestou preocupação com propostas de redução da jornada de trabalho em discussão no país. Neste mês de março, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados (CSLEI) encaminhou documento ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, alertando sobre os impactos da possível alteração da escala 6×1.

A CSLEI, vinculada ao Conselho Nacional de Política Agrícola, avalia que a redução da carga semanal de 44 para 36 horas pode gerar perda de 658 milhões de horas de trabalho por mês no país. Para compensar esse déficit, seria necessária a contratação de cerca de 3,65 milhões de trabalhadores, com custo adicional estimado em R$ 228 bilhões por ano em salários e encargos.

No setor leiteiro, os efeitos podem ser ainda mais expressivos. A atividade está presente em mais de 1 milhão de propriedades rurais no Brasil e exige manejo contínuo, com ordenha realizada diariamente, em até três turnos, ao longo de todo o ano. No Paraná, a produção de leite ocorre nos 399 municípios.

Segundo o presidente da câmara setorial, Ronei Volpi, a natureza perecível do leite exige operação ininterrupta. “A situação tende a se agravar, pois o leite demanda trabalho contínuo, sem possibilidade de interrupção, sob risco de perdas e prejuízos ao produtor”, afirmou. Ele também destacou que o setor já enfrenta desafios como escassez de mão de obra qualificada, elevada carga tributária e concorrência de produtos importados da Argentina e do Uruguai. “Uma nova mudança pode colocar em risco a atividade, com potencial de gerar desabastecimento, inflação e êxodo rural”, acrescentou.

O documento encaminhado ao governo federal também defende a realização de estudos técnicos mais aprofundados sobre os impactos da proposta. A recomendação é que o debate ocorra em 2027, evitando influência do calendário eleitoral.

O posicionamento é semelhante ao do Sistema FAEP, que defende uma discussão técnica e equilibrada, com participação do setor produtivo. A entidade alerta para possíveis efeitos negativos, como aumento de custos, pressão inflacionária, crescimento da informalidade, precarização das relações de trabalho e avanço da pejotização.

De acordo com estudo do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, a redução da jornada pode gerar impacto anual de R$ 4,1 bilhões na agropecuária do Paraná. O levantamento considera cerca de 645 mil postos de trabalho no setor e uma massa salarial estimada em R$ 24,8 bilhões, incluindo encargos como FGTS, INSS patronal, férias e 13º salário.

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o país ainda não está preparado para a mudança. “A medida pode elevar custos de produção, reduzir investimentos e comprometer empregos, com reflexos negativos para a economia”, afirmou. Ele também defendeu que o tema seja debatido com cautela, sem uso político em período eleitoral.

Foto: Divulgação

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