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Banco do Brasil tem crescimento em inadimplência e acende alerta

O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17% no quarto trimestre, ante 4,51% no trimestre anterior e 3,16% um ano antes

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Banco do Brasil
Banco do Brasil — Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mesmo após encerrar 2025 com lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, o Banco do Brasil passou a ser observado com maior cautela pelo mercado financeiro. O motivo é a piora consistente da qualidade do crédito, impulsionada principalmente pelo agronegócio e ampliada pela divulgação de um calote bilionário registrado no quarto trimestre.

O balanço apontou atraso de R$ 3,6 bilhões envolvendo uma única empresa. Segundo o banco, a operação entrou em inadimplência durante uma negociação no fim de 2025, foi regularizada em janeiro de 2026 e posteriormente cedida a terceiros. Apesar de pontual, o episódio expôs um problema estrutural: o crescimento dos atrasos em um ambiente de juros elevados e restrição de crédito.

O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17% no quarto trimestre — ante 4,51% no trimestre anterior e 3,16% um ano antes. Mesmo sem considerar o evento isolado, a taxa ficaria em 4,88%, ainda acima dos principais concorrentes:

  • Itaú Unibanco: 2,4%
  • Santander Brasil: 3,7%
  • Bradesco: 4,1%
  • Nubank: 6,6% (2º trimestre)

Entre os grandes bancos tradicionais, o Banco do Brasil terminou o ano com o maior nível de atraso.

Agronegócio concentra deterioração

O principal foco da piora está no campo. A inadimplência da carteira agro chegou a 6,1% no quarto trimestre, refletindo perdas climáticas, queda de preços de commodities em determinados períodos e aumento do endividamento dos produtores.

O banco é o maior financiador do setor no país e carrega forte exposição: a carteira rural somava R$ 406,1 bilhões em dezembro de 2025, equivalente a 31,3% do crédito total. Apenas no Plano Safra 2025/2026, entre julho e dezembro, foram liberados mais de R$ 116 bilhões.

Isso significa que, quando o agro enfrenta dificuldades, o impacto aparece rapidamente no balanço da instituição.

Dados da consultoria RGF mostram que o número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu recorde no quarto trimestre de 2025: 5.680 companhias. Proporcionalmente, o agronegócio lidera com folga, registrando 13,53 empresas em recuperação a cada mil ativas, mais de seis vezes a média nacional.

O cultivo de soja concentra 217 empresas em recuperação judicial, um dos segmentos mais afetados.

Provisões aumentam e crédito fica mais caro

Como resposta ao risco maior, o banco ampliou as provisões, reservas para cobrir possíveis perdas, para R$ 10,5 bilhões apenas no agro no último trimestre.

Para conter a deterioração, a instituição criou o programa BB Regulariza Dívidas Agro, permitindo renegociação com prazos de até nove anos. Até dezembro, R$ 22,6 bilhões haviam sido renegociados com mais de 15 mil produtores.

Analistas do BTG Pactual avaliam que a normalização será lenta e dependente da queda gradual dos juros.

Reação do mercado

Após a divulgação dos resultados, as ações do banco chegaram a subir mais de 8% na bolsa, refletindo a percepção de que o lucro permaneceu elevado. No entanto, a volatilidade voltou no dia seguinte: os papéis passaram a cair 3,38%, cotados a R$ 15,15.

O movimento resume a leitura predominante: a instituição segue sólida, mas a qualidade do crédito, especialmente no agronegócio, tornou-se o principal termômetro para investidores em 2026.

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