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Banco Central decreta liquidação da Will Financeira e amplia efeitos do caso Banco Master

Decisão atinge instituição controlada pelo Master, bloqueia bens de dirigentes e garante cobertura do FGC a investidores.

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
will bank
will bank — Crédito: Divulgação/Will Bank

O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A medida decorre da extensão do processo de liquidação do Banco Master, determinado em novembro de 2025.

A decisão foi formalizada em ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo. Segundo o documento, a liquidação se baseia no comprometimento da situação econômico-financeira da Will Financeira, na constatação de insolvência e no vínculo de controle exercido pelo Banco Master sobre a instituição.

Com a liquidação, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pela Will Financeira passam a ter cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, até o limite de R$ 250 mil por CPF. Procurado, o fundo não se manifestou até a publicação desta reportagem.

O FGC iniciou nesta semana o pagamento das garantias relacionadas aos CDBs do Banco Master, após cerca de dois meses de espera. A estimativa é de um desembolso de aproximadamente R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil investidores, no maior processo de ressarcimento já realizado pelo fundo. Até o momento, cerca de 600 mil pedidos foram registrados, e 448 mil credores já concluíram a solicitação.

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Liquidante e bloqueio de bens

O Banco Central nomeou como liquidante a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., a mesma responsável pelo processo do Banco Master. Com a decretação da liquidação, ficam indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores da Will Financeira, entre eles Daniel Vorcaro, Armando Miguel Gallo Neto, Felipe Wallace Simonsen, além das holdings Will Holding Financeira, Master Holding Financeira e 133 Investimentos e Participações. Também tiveram bens bloqueados os ex-administradores Felipe Felix Soares de Sousa e Ricardo Saad Neto.

Entenda a liquidação extrajudicial

A liquidação extrajudicial é adotada quando o Banco Central conclui que a situação de uma instituição é irreversível. Nesse regime, as atividades são interrompidas, a empresa é retirada do sistema financeiro nacional e os bens de controladores e ex-dirigentes ficam indisponíveis. O procedimento difere do Regime de Administração Especial Temporária (Raet), no qual as operações são mantidas enquanto ocorre tentativa de reorganização.

A medida aplicada à Will Financeira amplia os efeitos do processo iniciado contra o Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada em 18 de novembro de 2025. O objetivo, segundo o BC, é preservar a estabilidade e o funcionamento do sistema financeiro.

Histórico do Will Bank

Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões, conforme dados do Banco Central. Em setembro, a instituição possuía R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não mantinha depósitos à vista.

Quando decretou a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, o BC optou inicialmente por preservar a Will Financeira, diante da expectativa de venda do negócio. A instituição chegou a operar sob regime especial temporário por até 120 dias, mas a negociação não avançou.

O Will Bank integra o conglomerado do Master e opera sob a licença do Banco Master Múltiplo, que não foi liquidado e permanece sob Raet. Antes mesmo do anúncio oficial da liquidação, a bandeira Mastercard deixou de aceitar transações com cartões emitidos pelo Will Bank, após operações não terem sido honradas. A empresa também executou garantias relacionadas a dívidas da instituição e passou a deter participações relevantes na varejista Westwing e no Banco de Brasília.

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