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Assembleia busca esclarecimentos sobre posse e preservação do Bosque da Copel

Deputados pedem informações à Copel e à Prefeitura de Curitiba após denúncias sobre possível projeto imobiliário no local; área abriga vegetação nativa e nascentes do Rio Campina do Siqueira

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
bosque
bosque — Crédito: Luiz Costa/SMCS

A Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais (Cemapa) da Assembleia Legislativa do Paraná encaminhou ofícios à Copel e à Prefeitura de Curitiba para esclarecer a situação do Bosque da Copel, localizado no bairro Bigorrilho, uma das regiões mais valorizadas da capital. O pedido de informações foi motivado por denúncias de que o espaço poderia ser alvo de um empreendimento imobiliário, com a derrubada da vegetação nativa para a construção de 21 edifícios.

Segundo o presidente da comissão, deputado Arilson Chiorato (PT), há informações divergentes sobre a propriedade e o destino do terreno. “Moradores relatam ter recebido materiais publicitários sobre um futuro condomínio residencial na área, enquanto Copel e Prefeitura apresentam versões diferentes. É preciso esclarecer quem é o proprietário e garantir a preservação dessa área de mata nativa essencial ao equilíbrio ecológico da região”, afirmou.

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A Prefeitura de Curitiba divulgou um vídeo negando qualquer intenção de comercializar a parte do bosque sob sua responsabilidade, onde está o espaço conhecido como “Chapéu Pensador”. O município também informou que não há pedidos de corte de árvores, nem protocolos ou licenças em tramitação para construção no local.

Mesmo assim, o deputado defende que o caso seja apurado com mais profundidade. “Não basta dizer que é fake news. Precisamos saber a verdade. Há denúncias de ressecamento de araucárias e de outras espécies nativas dentro do bosque. Caso isso esteja acontecendo de forma proposital para degradar a vegetação, seria algo extremamente grave”, ressaltou Arilson.

Os pedidos de esclarecimento enviados pela Cemapa somam-se aos de outros parlamentares, que também buscaram informações junto ao Ministério Público, à Copel, à Casa Civil, à Prefeitura de Curitiba e às secretarias de Meio Ambiente, Urbanismo e Desenvolvimento Sustentável. O objetivo é obter um panorama completo sobre a titularidade da área e eventuais projetos que possam afetar o espaço.

O Bosque da Copel é uma área de preservação que abriga espécies nativas, entre elas exemplares de araucária, e serve de refúgio para diversas espécies de fauna. O local também é importante do ponto de vista hídrico, por conter nascentes do Rio Campina do Siqueira, que contribuem para a drenagem natural e a permeabilidade do solo urbano.

Arilson lembrou ainda que, em dezembro de 2018, foi assinado um protocolo de intenções para transformar o bosque em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural Municipal (RPPNM), ato formalizado na época pelo então prefeito Rafael Greca e pela governadora Cida Borghetti. “Essa proposta foi anunciada há anos, mas até hoje não foi efetivada. É fundamental retomar essa iniciativa para garantir a proteção definitiva da área”, reforçou o deputado.

A Cemapa pretende continuar acompanhando o caso e cobrar providências das autoridades competentes para evitar qualquer tipo de intervenção indevida no bosque. O espaço é considerado um dos últimos redutos de vegetação nativa em meio à urbanização crescente de Curitiba e tem papel relevante para a manutenção da biodiversidade e do equilíbrio ambiental da região.

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