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Após denúncia de vereador, MP abre inquérito contra a Sanepar no Sudoeste

Representação apresentada pelo vereador Renato Figueira (Novo) pede investigação sobre a prestação dos serviços de água e esgoto em Realeza e Santa Izabel do Oeste, além de apurar danos ambientais no principal manancial da região

Eliane Alexandrino · · 3 min de leitura
MPPR denúncia do Rio Quati  Realeza
MPPR denúncia do Rio Quati Realeza — Crédito: Divulgação

O Ministério Público do Paraná (MPPR) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades na prestação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) nos municípios de Realeza e Santa Izabel do Oeste, no Sudoeste do Estado. O procedimento foi aberto após representação protocolada pelo vereador Renato Figueira (Novo), que denunciou problemas recorrentes na rede de esgoto e a contaminação do Rio Sarandi, principal manancial de abastecimento da região.

Conforme o documento expedido pela Promotoria de Justiça da Comarca de Realeza, o inquérito busca apurar a precariedade na prestação dos serviços de água e esgoto, identificar as causas e os responsáveis pela contaminação do Rio Sarandi e adotar medidas para a regularização da situação, além de eventual reparação dos danos ambientais e dos prejuízos causados aos consumidores.

Segundo Renato Figueira, a representação foi protocolada em fevereiro deste ano após uma série de reclamações sobre falhas no sistema de saneamento. O parlamentar afirma que rompimentos frequentes das tubulações de esgoto estariam lançando resíduos diretamente no rio, comprometendo a qualidade da água e provocando interrupções no abastecimento da população.

"O Rio Sarandi é o único afluente que corta o município e também o principal ponto de captação de água. Quando ocorria a contaminação por esgoto, muitas vezes era necessário interromper o fornecimento de água para a população. Isso gerava uma série de transtornos e demonstrava a necessidade de uma investigação mais profunda", afirmou o vereador.

Além da atuação da Sanepar, Renato Figueira defende que o inquérito também analise a fiscalização exercida pelos órgãos ambientais e pelos municípios. Segundo ele, o Instituto Água e Terra (IAT) e as secretarias municipais de Meio Ambiente precisam intensificar o acompanhamento das redes de saneamento e cobrar providências sempre que forem identificados riscos ambientais.

O parlamentar também lembrou que a região já registrou outros episódios de impacto ambiental. Entre eles, citou o rompimento de uma esterqueira ocorrido no ano passado, em Santa Izabel do Oeste, que teria provocado danos ao meio ambiente e reforçado a necessidade de maior fiscalização sobre atividades potencialmente poluidoras.

Para Renato Figueira, a instauração do inquérito representa um avanço na busca por soluções definitivas para os problemas enfrentados pelos moradores dos dois municípios.
"A abertura do inquérito coloca o tema sob investigação oficial e aumenta a responsabilidade dos órgãos fiscalizadores e da própria Sanepar. O objetivo não é apenas identificar responsabilidades, mas garantir que os problemas sejam corrigidos para evitar novas contaminações e assegurar água de qualidade para a população", destacou.

O Ministério Público deverá reunir informações, requisitar documentos e promover diligências para verificar as condições da rede de abastecimento e esgotamento sanitário, bem como avaliar a existência de danos ambientais e de eventuais responsabilidades administrativas, civis ou ambientais decorrentes dos fatos investigados. 

Crise recorrente no abastecimento de água

A denúncia ocorre em meio a um histórico de problemas no abastecimento de água em Realeza. Em setembro de 2025, a Sanepar precisou interromper a captação de água no Rio Sarandi após alterações na qualidade da água do manancial, deixando parte da população sem abastecimento. Na ocasião, aulas foram suspensas e caminhões-pipa foram utilizados para atender serviços essenciais. 

A Gazeta do Paraná entrou em contato com a Sanepar, até o fechamento desta reportagem ainda não tivemos retorno. 


Foto: Divulgação

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