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Alta do diesel pressiona frete e FPA cobra revisão urgente da tabela nacional

Frente Parlamentar da Agropecuária aponta distorções no modelo da ANTT e alerta para impacto direto nos custos do agro

Eliane Alexandrino · · 4 min de leitura
combustiveis
combustiveis — Crédito: Banco de imagens/Pexels/Engin Akyurt

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) voltou a cobrar do governo federal a revisão da tabela de frete rodoviário em meio à alta do diesel, que vem pressionando os custos logísticos no país. Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (19), a entidade afirma que o modelo atual não reflete a realidade do transporte e tem gerado distorções que afetam diretamente a competitividade do setor produtivo.

Segundo a FPA, o tema já vinha sendo acompanhado desde 2025, quando foram enviados ofícios aos ministérios da Agricultura, Transportes, Fazenda e à Casa Civil solicitando a abertura de diálogo técnico para reavaliar a metodologia adotada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Para o setor, a tabela desconsidera fatores essenciais como diferenças regionais, frete de retorno, diversidade de cargas e o perfil da frota.

Na avaliação da bancada, o cenário atual provoca aumento artificial dos custos logísticos, reduz a eficiência das cadeias produtivas e impacta principalmente atividades com grande volume e margens mais apertadas, como ocorre no agronegócio. A entidade também defende maior transparência e fiscalização permanente da tabela, com critérios mais claros e alinhados às condições reais de mercado.

Outro ponto destacado é o peso do diesel no custo do transporte rodoviário. A FPA ressalta que o combustível representa uma das principais despesas do frete e tem sofrido oscilações influenciadas pelo cenário internacional. Diante disso, a entidade cobra uma política energética mais previsível, capaz de reduzir a volatilidade e garantir maior estabilidade à logística nacional.

A nota também menciona a necessidade de revisão do percentual de mistura obrigatória do biodiesel, atualmente em B17. Segundo a FPA, a medida pode contribuir para equilibrar os custos energéticos e trazer maior previsibilidade ao setor.

A entidade reforça que ajustes na tabela de frete são urgentes para evitar distorções e garantir condições mais justas ao transporte rodoviário, considerado estratégico para o escoamento da produção agrícola brasileira.

O que diz o sindicato

A revisão da tabela do frete rodoviário é considerada necessária pelo setor, mas ainda enfrenta problemas de clareza e aplicação. Segundo representantes da categoria, o modelo atual é confuso e gera divergências, o que dificulta sua adoção prática. “O modelo atual é confuso e gera divergências, o que dificulta sua adoção prática. Na essência, não é um preço fixo, mas uma referência mínima para negociação”, explicou Geová Pereira, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Oeste do Paraná.
Segundo ele, a falta de regulamentação ao longo de décadas agravou o cenário. “Hoje está muito difícil para as empresas e indústrias aceitarem pagar o valor correto do frete. Falta um diálogo mais amplo e transparente entre as partes”, afirmou.

Geová também destacou os impactos diretos no setor. “Os caminhões estão se deteriorando e muitos autônomos não conseguem renovar a frota. Enquanto isso, os custos só aumentam”, disse.
Outro fator de pressão é o diesel. “Foi definido um reajuste de cerca de 13%, mas muitas empresas ainda não repassaram esse aumento. Isso gera um impasse e mantém o transporte em situação de instabilidade”, completou.

Preocupação

Para o líder da bancada do agro, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos), o aumento dos custos ao longo da cadeia produtiva, entre eles o diesel, já impacta diretamente o produtor e tende a chegar ao consumidor. “Quando o custo de produção sobe, com combustível, insumos e logística mais caros, isso acaba sendo repassado. O desafio é evitar que isso vire inflação de alimentos”, afirmou.

Já o diretor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, alertou para os reflexos do cenário internacional. “Cerca de 30% dos fertilizantes nitrogenados vêm do Oriente Médio. Em um cenário de conflito, os custos aumentam e o produtor já está pressionado por juros altos e endividamento”, destacou.


Foto: Divulgação

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