🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Copel
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Abin projeta riscos para 2026 e alerta para ameaças eleitorais, digitais e geopolíticas

Relatório identifica desafios ligados à segurança do pleito, impactos da IA, dependência tecnológica, clima extremo e reconfiguração global

Gazeta do Paraná · · 5 min de leitura
Abin
Abin — Crédito: Antônio Cruz/Agência Brasil

Nem tudo é sigiloso no trabalho de quem lida com informações sensíveis para o Estado brasileiro. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou, nesta terça-feira (2), a publicação Desafios de Inteligência - Edição 2026, documento que reúne os principais riscos previstos para o próximo ano e orientará o planejamento estratégico da instituição. A iniciativa, segundo o órgão, reforça um compromisso de transparência ao oferecer subsídios para decisões da Presidência da República e para a formulação de políticas públicas em setores estratégicos.

Entre os temas centrais do relatório estão a segurança do processo eleitoral e o avanço de ataques cibernéticos com uso de inteligência artificial. Em 2026, o país terá eleições gerais, cenário que, para a Abin, amplia ameaças “complexas e multifacetadas”, sobretudo ligadas à tentativa de deslegitimar instituições democráticas, à disseminação de desinformação em larga escala e ao risco de interferência externa. O documento menciona também a crescente influência do crime organizado em territórios sob seu domínio, o que pode afetar a integridade do pleito.

“Adicionalmente, a integridade do pleito é desafiada pela crescente influência do crime organizado em territórios sob sua influência e pelo risco de interferência externa voltada a desestabilizar o processo eleitoral e favorecer interesses geopolíticos estrangeiros”, diz o documento.

Elaborado em cooperação com especialistas de universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais, o relatório identifica cinco desafios prioritários: segurança no processo eleitoral; transição para a criptografia pós-quântica; ataques cibernéticos autônomos impulsionados por IA; reconfiguração das cadeias globais de suprimentos; e dependência tecnológica, incluindo o avanço de atores não estatais que disputam poder informacional. A publicação sucede a edição anterior, que havia destacado impactos da crise climática, transformações demográficas e aceleração da corrida tecnológica.

Durante a apresentação, o diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, afirmou que as dinâmicas internacionais ganharam maior proeminência ao longo de 2024, com o uso crescente de instrumentos econômicos como pressão política, escalada de tensões militares em países latino-americanos, alguns fronteiriços com o Brasil, e intensificação da competição global pela liderança no desenvolvimento de inteligência artificial. O relatório descreve um mundo em “multipolaridade desequilibrada e desinstitucionalizada”, marcado pela disputa estratégica entre Estados Unidos e China e por um processo de “desglobalização deliberada”.

O impacto da Era Digital é destacado como eixo estruturante dos riscos. Para a Abin, a soberania digital tornou-se um desafio nevrálgico, especialmente diante da dependência brasileira de hardwares estrangeiros e da concentração de poder em grandes empresas de tecnologia, que monopolizam dados e desafiam estruturas estatais. Embora reconheça avanços em cibersegurança, como o desenvolvimento de sistemas governamentais com criptografia pós-quântica, o órgão alerta que a chegada da computação quântica, prevista para ocorrer entre 5 e 15 anos, tende a tornar obsoletos os atuais padrões de criptografia de chaves públicas, exigindo uma transição urgente para algoritmos nacionais.

Entre os riscos mais sensíveis, o relatório também aponta que a rápida evolução da inteligência artificial pode transformar sistemas autônomos em agentes ofensivos capazes de planejar, executar e adaptar ataques cibernéticos sem supervisão humana. Esse cenário, segundo a agência, eleva a possibilidade de escaladas que podem ultrapassar o ambiente digital e desencadear conflitos de maior magnitude.

O documento dedica um capítulo à reconfiguração das cadeias globais de suprimentos, influenciada pela ascensão chinesa, pela disputa econômica com os Estados Unidos e pelas vulnerabilidades reveladas durante a pandemia. A Abin afirma que o Brasil vive uma situação de “dependência dupla”: da China, que garante superávit comercial por meio das commodities, e de capital e tecnologias ocidentais, fundamentais para investimentos e inovação.

As mudanças climáticas aparecem como outro vetor relevante de risco. O relatório lembra que 2024 foi o ano mais quente já registrado, superando em 1,5°C a média do período pré-industrial, e destaca eventos extremos que afetaram o país, como a seca amazônica e as enchentes no Rio Grande do Sul. Segundo a Abin, as perdas econômicas associadas a fenômenos climáticos já chegam a R$ 13 bilhões anuais. A pressão sobre a segurança hídrica e energética, agravada pelo desmatamento e pela redução dos “rios voadores”, aumenta vulnerabilidades no sistema elétrico. Na agricultura, a intensificação de pragas pode afetar até 46% das lavouras até o fim do século.

O relatório também aponta desafios demográficos que devem se aprofundar. O envelhecimento da população mundial, combinado à queda da taxa de fecundidade, pode reconfigurar mercados de trabalho e pressões sobre sistemas de saúde. A agência destaca ainda a saída crescente de profissionais qualificados do Brasil e, simultaneamente, o aumento da entrada de migrantes, o que exige reforço na capacidade estatal de prestação de serviços e na segurança das fronteiras.

No entorno sul-americano, a Abin avalia que a região se tornou mais permeável às disputas globais por recursos estratégicos, como lítio, terras raras, petróleo e os recursos naturais da Amazônia. A China consolidou-se como principal parceiro comercial, enquanto os Estados Unidos têm intensificado pressões por alinhamento político, incluindo ameaças militares, segundo o documento.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.