🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Result
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Senado deve votar ainda em 2025 o PL da Dosimetria após aprovação na Câmara

Senadores articulam votar ainda em 2025 o PL da Dosimetria, projeto que pode reduzir penas de Bolsonaro e demais condenados pelos atos golpistas

Gazeta do Paraná · · 5 min de leitura
Senado
Senado — Crédito: Bruno Spada/Agência Câmara

A aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que altera as regras de cálculo de penas para condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado abriu caminho para uma nova etapa decisiva: a análise no Senado, prevista para ocorrer ainda em 2025. O chamado PL da Dosimetria, aprovado por 291 votos a 148, segue em ritmo acelerado e deve passar pela votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no Plenário antes do recesso parlamentar.

A condução da pauta no Senado se tornou um novo foco de atenção após negociações entre líderes das duas Casas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), inicialmente pretendia levar o texto diretamente ao Plenário, mas recuou depois da pressão do presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), que exigiu a tramitação regular. O acordo incluiu a definição de que o projeto será analisado na comissão já na próxima semana, sob relatoria do senador Esperidião Amin (PP-SC), aliado político de Jair Bolsonaro e crítico das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas aos atos golpistas.

“Essa matéria deveria passar aqui na Comissão de Constituição e Justiça. Já comuniquei a indicação do senador Esperidião Amin para ser o relator da matéria e ele vai apresentar o relatório com a expectativa de que a matéria será apreciada na próxima semana”, afirmou o presidente da CCJ.

A expectativa no Senado é de que a matéria seja aprovada com rapidez. Segundo parlamentares ouvidos pela imprensa, inclusive governistas, o clima entre os líderes é favorável à votação expressa antes do fim do ano legislativo. Otto Alencar confirmou que, se o relatório for aprovado na CCJ, será levado imediatamente ao Plenário, movimento que vai encurtar ainda mais a tramitação.

“Era inadmissível que um projeto dessa grandeza, que envolve questões tão dramáticas, fosse direto para o Plenário. Sua Excelência designou não apenas um relator competente, mas alguém com posição de centro, que não colocará carga partidária em uma matéria que não é partidária”, afirmou o Senador Eduardo Braga (MDB-AM)

Mudanças nas penas

O texto aprovado pelos deputados altera profundamente o cálculo das condenações impostas pelo STF ao grupo considerado responsável pela tentativa de golpe de Estado. A principal mudança determina que, quando os crimes de golpe e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito forem praticados no mesmo contexto, deve prevalecer apenas a pena maior, de 4 a 12 anos, e não mais a soma das duas condenações.

Com isso, condenados como Bolsonaro, Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira, Braga Netto, Augusto Heleno, Anderson Torres e Alexandre Ramagem poderiam ter redução significativa do tempo total de cumprimento de pena. O cálculo final caberá ao STF, mas parlamentares da oposição estimam que, no caso do ex-presidente, a permanência no regime fechado poderia cair de 7 anos e 8 meses para aproximadamente 2 anos e 4 meses, dependendo do entendimento sobre trabalho e estudo em regime domiciliar.

Outra alteração de impacto trata da progressão de regime. A legislação atual exige que condenados por crimes cometidos com violência ou grave ameaça cumpram 25% da pena no regime fechado para acesso ao semiaberto. O PL reduz esse percentual para 16% no caso de réus primários, aplicando o mesmo índice para crimes com ou sem violência. Para reincidentes, a exigência cai de 30% para 20%.

Essas mudanças não se restringem aos crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro. A nova redação afeta diversos delitos do Código Penal caracterizados como praticados com grave ameaça, que não estão incluídos entre os crimes hediondos ou nos títulos I e II do Código Penal. Isso inclui, por exemplo, crimes licitatórios e alguns crimes contra a dignidade sexual.

O texto também prevê redução de um terço a dois terços da pena para acusados que tenham participado dos atos de 8 de janeiro em contexto de multidão, desde que não tenham financiado as ações ou exercido liderança. A medida abrange centenas de pessoas que foram condenadas pelo STF nos últimos dois anos.

Outro ponto polêmico é a possibilidade de que estudo ou trabalho para remição de pena seja considerado também em caso de prisão domiciliar, prática que, embora já reconhecida pelo STJ, passa a ter amparo legal explícito.

Pressão política

A aprovação na Câmara provocou reações intensas de parlamentares contrários ao projeto, que classificaram o texto como “retrocesso” e “afronta à defesa da democracia”. O episódio que antecedeu a votação, a retirada forçada do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) da Mesa Diretora pela Polícia Legislativa, ampliou o clima de tensão. Profissionais da imprensa relataram agressões e impedimentos durante a ação policial.

Apesar da controvérsia, a maioria dos partidos da base e do centrão garantiu votos suficientes para aprovar a proposta. O PL, partido de Bolsonaro, votou quase integralmente a favor. Já PT, PSOL, PCdoB, PV e Rede orientaram voto contrário.

No Senado, a correlação de forças deve favorecer a aprovação. Com Amin na relatoria e Alcolumbre empenhado em concluir a análise ainda neste ano, o PL da Dosimetria se torna uma das últimas pautas de alto impacto político de 2025. Caso seja aprovado sem alterações, o texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que poderá vetar total ou parcialmente o projeto.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.