🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Result
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Ministério Público é acionado após retirada do Monumento à Democracia em Foz do Iguaçu

Prefeitura afirma que o local passa por uma revitalização e foi necessária a retirada para execução de serviços de terraplanagem no espaço

Gazeta do Paraná · · 5 min de leitura
Monumento inauguração
Monumento inauguração — Crédito: Reprodução

A retirada do Monumento à Democracia da Praça Naipi, em Foz do Iguaçu, provocou uma onda de críticas e questionamentos à Prefeitura do município. A escultura, instalada em 2010 como homenagem à luta pela democracia na América Latina, foi removida recentemente por determinação do Poder Executivo Municipal, sob a gestão do general Joaquim Silva e Luna. Conforme entidades, a decisão foi executada sem consulta pública e sem justificativas oficiais, o que gerou forte repercussão entre entidades civis, acadêmicos e representantes políticos da cidade.

De acordo com relatos de um funcionário municipal responsável pelas obras no local, o monumento foi “arrancado e posteriormente colocado na carroceria de um caminhão”. A peça é considerada um bem de interesse público, de valor histórico e simbólico, representando um marco da memória das lutas democráticas na região e no continente.

O Monumento à Democracia foi inaugurado em 2010 em uma cerimônia que reuniu autoridades brasileiras e estrangeiras. Participaram do evento o então governador do Paraná, Orlando Pessuti; o diretor-geral de Itaipu, Jorge Samek; o prefeito Paulo Mac Donald; e ministros dos Direitos Humanos do Brasil, Paraguai e Argentina. A obra nasceu de um projeto do então vereador José Carlos Neves, com o apoio do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP), presidido pelo jornalista e ex-preso político Aluízio Palmar. O monumento presta homenagem às vítimas da Operação Condor: aliança entre ditaduras militares do Cone Sul que perseguiu e assassinou opositores políticos nas décadas de 1970 e 1980.

A Gazeta do Paraná entrou em contato com a Prefeitura de Foz do Iguaçu para entender os motivos da retirada do monumento e sobre a realocação da escultura. Em vídeo, o secretário de meio ambiente do município, Idelson Chaves afirmou que o local passa por uma revitalização e foi necessária a retirada para execução de serviços de terraplanagem no espaço.

“Estamos passando por uma revitalização completa do espaço, primeiro começando pelo painel que conta com a lenda das cataratas. Vai ser feita uma arte moderna, mais adequada para o espaço. Enfim, todo o local está sendo pensado para se tornar um espaço aprazível para a população e para os turistas que frequentam a cidade. Entendemos que ali é um ponto crucial da cidade, onde passa um fluxo de pessoas muito grande, com bastante hotéis e o shopping center no entorno. A praça também vai passar por uma terraplanagem, para dar mais acessibilidade e mobilidade para o local. Por isso foi importante a retirada do momento, para que após a finalização, a gente possa ver a possibilidade de realocá-lo naquele local. Mas repito, é uma revitalização completa voltada para o espaço mais moderno e adequado para a população”, disse Idelson Chaves.

A remoção da escultura foi recebida com indignação por diversos setores da sociedade civil. Na última quinta-feira, o CDHMP protocolou uma Notícia de Fato junto ao Ministério Público do Paraná (MPPR) em Foz do Iguaçu, solicitando a apuração da legalidade do ato. Segundo o Centro, a ação da Prefeitura configura uma medida “unilateral e arbitrária”, em desacordo com os princípios de publicidade e transparência administrativa.

O documento enviado ao MPPR cita que a Constituição Federal obriga o Poder Público a promover e proteger o patrimônio cultural brasileiro, o que inclui monumentos, obras de arte e símbolos de valor histórico. Dessa forma, a remoção de um bem dessa natureza deveria ser precedida de um processo administrativo formal, com motivação clara e participação da sociedade.

“A remoção de um monumento público, de valor simbólico е histórico, deve ser precedida de um processo administrativo transparente e devidamente motivado”, diz a notícia de fato protocolada no MPPR.

O CDHMP pediu que o Ministério Público requisitasse informações oficiais à Prefeitura sobre os motivos da retirada e o destino atual da escultura, além de solicitar eventuais medidas judiciais ou extrajudiciais que assegurem a preservação e o retorno do monumento ao seu local de origem.

“A ação unilateral e arbitrária do Poder Executivo configura um desrespeito ao princípio da publicidade e à proteção do patrimônio público”, diz o documento.

Antes mesmo do protocolo ao MPPR, o Centro já havia encaminhado um ofício à administração municipal pedindo esclarecimentos e providências para a reinstalação da obra. Em paralelo, o Comitê Estadual de Memória, Verdade e Justiça do Paraná (CEMVEJ) e o curso de História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) emitiram uma nota pública conjunta repudiando a ação do Executivo e exigindo transparência sobre o paradeiro do monumento.

No âmbito político, as vereadoras Yasmin Hachen (PV) e Valentina (PT) apresentaram um requerimento oficial ao Poder Executivo municipal solicitando explicações sobre a autorização para a retirada, a localização atual da escultura e se há previsão para sua reinstalação. Conforme as vereadoras, trata-se de um símbolo de resistência democrática, e sua retirada, sem qualquer justificativa, fere a memória coletiva da cidade.

Para o CDHMP, o episódio representa “um retrocesso e uma tentativa de apagar a memória histórica” construída ao longo de décadas por movimentos de defesa dos direitos humanos. A ausência de informações oficiais alimenta a insatisfação de moradores e organizações locais.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.