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Governo do Paraná diz ser contra pórticos fora das praças de pedágio e promete atuação junto à ANTT

Troca de acusações na Alep expõe disputa entre governo do Paraná, ANTT e Planalto sobre pórticos eletrônicos. Deputados empurram responsabilidades e pedágio vira campo de batalha política

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Hussein Bakri
Hussein Bakri — Crédito: Orlando Kissner

A polêmica em torno da instalação de pórticos eletrônicos e da mudança no modelo de cobrança dos pedágios no Paraná extrapolou o debate técnico e se transformou, nesta segunda-feira, em uma disputa aberta de narrativas políticas na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná. Em discursos sucessivos, deputados governistas e de oposição trocaram acusações e empurraram responsabilidades entre o Palácio do Iguaçu, a Agência Nacional de Transportes Terrestres e o governo federal, revelando um racha que vai além da questão do pedágio.

O líder da oposição, Arius Chiorato, foi direto ao apontar o dedo para o Executivo estadual. Segundo ele, embora o governo do Paraná agora tente se descolar da controvérsia, o modelo de concessão que permitiu as mudanças foi concebido e defendido pelo próprio governador. Chiorato afirmou que a origem do problema está na estrutura do contrato e na forma como o Estado conduziu o processo, lembrando que alertas feitos ainda na fase de votação foram ignorados.

Na outra ponta do embate, o deputado Delegado Jacobós direcionou suas críticas ao Planalto. Em tom duro, atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governo federal a responsabilidade por permitir a continuidade do modelo, afirmando que promessas feitas durante a campanha eleitoral não se refletiram na prática. Para Jacobós, se o pedágio eletrônico avançar nos moldes atuais, a conta política recairá sobre Brasília.

Coube ao líder do governo na Assembleia, Hussein Bakri, tentar conter o desgaste do governador Ratinho Júnior. Bakri adotou um discurso de “responsabilidade compartilhada”, argumentando que a decisão operacional cabe à ANTT e que o governo estadual já manifestou contrariedade à instalação de pórticos fora das praças previstas. Ao mesmo tempo, reforçou que o Executivo paranaense está atuando para tentar barrar o avanço do modelo antes da assinatura definitiva do contrato.

A crítica mais grave veio do deputado Luiz Claudio Romanelli, que falou em “conluio” entre concessionária e ANTT. Romanelli sustentou que a adoção dos pórticos não está prevista nos contratos tal como foram debatidos e aprovados, e que a justificativa de implantação do sistema “free flow” estaria sendo usada de forma indevida para maximizar a arrecadação das empresas, sem contrapartida clara ao usuário.

A sucessão de discursos escancarou um ambiente de desconfiança institucional, no qual nenhum dos atores envolvidos aceita carregar sozinho o ônus político da medida. Enquanto o governo estadual tenta se posicionar como mediador e opositor do formato adotado, deputados da oposição insistem que a raiz do problema está no modelo defendido pelo próprio Palácio do Iguaçu. Já parlamentares mais alinhados à direita buscam associar o desgaste ao governo federal e à atuação da agência reguladora.

Nos bastidores, o consenso é que a pressão pública da Assembleia força uma reação coordenada. Ao final da sessão, foi anunciada a elaboração de um documento conjunto da Alep a ser enviado à ANTT, ao Ministério dos Transportes e ao Tribunal de Contas da União, numa tentativa de frear o avanço do modelo antes que ele entre em operação. O episódio revela que, mais do que uma discussão sobre pedágio, o tema se tornou um campo de disputa política em um ano pré-eleitoral, no qual ninguém quer assumir a paternidade de uma medida impopular.

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