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Engorda milionária em Matinhos: praia “rejuvenescida” vira caixa d’água de sacos de areia e foco de apuração no MP-PR

Investigação do MP-PR apura falhas técnicas, possíveis danos ambientais e desperdício de recursos na obra de engorda da orla de Matinhos, após sacos de areia serem arrastados ao mar e agravarem a erosão

Gazeta do Paraná · · 2 min de leitura
Engorda Matinhos
Engorda Matinhos — Crédito: Divulgação Oposição Alep

O que foi apresentado como solução moderna para conter a erosão no Litoral do Paraná passou a ser investigado por órgãos de controle. A obra de engorda da orla de Matinhos entrou no radar do Ministério Público do Paraná após denúncias de falhas técnicas, impactos ambientais e desperdício de recursos públicos.

Vídeos e registros feitos por moradores, surfistas e ambientalistas mostram sacos de areia utilizados na obra sendo arrastados para dentro do mar, rompidos pelas ondas e espalhando material ao longo da costa. Em vez de ampliar e estabilizar a faixa de areia — promessa central do projeto — a intervenção teria agravado pontos de erosão, transformando parte da orla em um passivo ambiental.

Representação pede apuração de danos e responsabilidades

A apuração no MP-PR foi provocada por uma representação formal apresentada pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT). O pedido solicita a análise do licenciamento ambiental, dos estudos técnicos que embasaram a obra, da execução contratual e da efetividade do gasto público, além da adoção de medidas para conter danos e, se for o caso, responsabilizar agentes públicos e empresas envolvidas.

Segundo o parlamentar, o projeto foi vendido como solução definitiva para um problema histórico do litoral, mas o resultado prático estaria distante do anunciado. A representação também questiona se alertas técnicos prévios foram desconsiderados durante o planejamento.

Críticas técnicas e alerta ignorado

As críticas ganharam eco com a manifestação do deputado Requião Filho, que esteve no local e divulgou vídeos apontando que especialistas já teriam alertado para riscos do método adotado. Para ele, a obra priorizou o impacto visual e o marketing institucional em detrimento de soluções sustentadas por engenharia costeira e estudos de longo prazo.

Obra cara, resultado contestado

O investimento público na engorda da orla ultrapassa a casa das centenas de milhões de reais, cifra que contrasta com as imagens de sacos de areia submersos e a necessidade de intervenções corretivas. Ambientalistas alertam que o material, ao se desfazer, pode afetar o ecossistema marinho, além de comprometer a segurança de banhistas e a dinâmica natural das praias.

Próximos passos

Com a abertura da apuração, o MP-PR deve requisitar documentos, laudos e contratos para verificar eventuais irregularidades e danos ambientais. O caso reacende o debate sobre grandes obras costeiras no Paraná: quanto custam, quem se responsabiliza e, sobretudo, se funcionam. Enquanto isso, a “praia rejuvenescida” segue enfrentando o teste mais duro — o do próprio mar.

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