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Coaf aponta pagamentos milionários a dirigente do PT em esquema ligado à “Farra do INSS”

Relatórios indicam que empresa investigada repassou R$ 120 mil a Ricardo Bimbo e mais de R$ 8 milhões à Datacore, da qual ele é sócio; petista diz não lembrar de serviços prestados

Redação · · 3 min de leitura
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4 — Crédito: Divulgação

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo o coordenador do Setorial Nacional de Tecnologia e Informação do PT, Ricardo Bimbo, e a ADS Soluções e Marketing, empresa apontada como parte do esquema de descontos irregulares na folha de aposentados do INSS — a chamada “Farra do INSS”, revelada pelo portal Metrópoles.

Segundo Relatórios de Inteligência Financeira enviados à CPMI do INSS, a ADS transferiu R$ 120 mil para a conta pessoal de Bimbo entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024. Além disso, entre agosto de 2023 e julho de 2024, a empresa repassou R$ 8,29 milhões à Datacore, companhia de tecnologia da qual o dirigente petista é sócio. Desse montante, R$ 2,5 milhões foram enviados após sua entrada na sociedade. Questionado, Bimbo afirmou não se lembrar dos pagamentos nem de qual serviço teria prestado para receber valores tão altos.

O Coaf também identificou que, no mesmo período, o petista pagou um boleto de R$ 10.354,60 ao contador João Muniz Leite, responsável pelas contas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, até ser investigado na Operação Fim da Linha, do Ministério Público de São Paulo, sob suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. Procurado, o contador afirmou não recordar o motivo do pagamento.

Com trajetória no PT desde 1989, Bimbo participou da campanha de Lula em 1998 e ocupou cargos no partido e na gestão Marta Suplicy, em São Paulo. Seu nome também já apareceu em apurações do Ministério Público sobre possível favorecimento a entidades ligadas a militantes petistas.

Repasse milionário da ADS
A ADS, formalmente registrada como empresa de marketing, recebeu valores expressivos de associações que aplicavam descontos suspeitos em aposentados, segundo a CPI. Entre fevereiro de 2023 e julho de 2024, a Potyguar transferiu R$ 43,1 milhões; a AAPPS, R$ 23,2 milhões; e a Apdap Prev, R$ 5,2 milhões. A mesma empresa repassou R$ 2,6 milhões ao escritório de advocacia de Eric Fidelis, filho do ex-presidente do INSS, André Fidelis, e realizou transações com empresa ligada à esposa do ex-procurador-geral do INSS, Vigílio Oliveira Filho.

Os registros mostram ainda que, até dezembro de 2024, a ADS mantinha saldo devedor de R$ 2,98 milhões com a Datacore. As 22 transferências feitas pela ADS à empresa de Bimbo somam R$ 8,29 milhões, distribuídos em três períodos:
– R$ 2.952.033,00 (01/08/2023 a 30/11/2023)
– R$ 2.816.815,00 (01/12/2023 a 29/02/2024)
– R$ 2.528.762,73 (01/03/2024 a 31/07/2024)

A CPMI segue analisando os documentos para verificar eventual participação dos envolvidos no esquema de desvio de recursos de aposentados.

Com informações do Metrópoles

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