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Caso Camila Nogueira: família denuncia negligência médica após parada cardiorrespiratória

Paciente segue internada em UTI após procedimento; denúncia foi encaminhada ao Cremepe

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
camila nogueira
camila nogueira — Crédito: Reprodução Internet

A família de Camila Nogueira denunciou possível negligência médica após um procedimento que terminou em parada cardiorrespiratória e danos cerebrais irreversíveis. Segundo os familiares, Camila entrou no hospital caminhando e hoje permanece internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado que alterna entre neurovegetativo e minimamente consciente.

Casada e mãe de dois filhos, Marina, de dois anos, e Arthur, de seis. Camila sofreu, conforme relato da família e de seus advogados, uma intercorrência grave durante o procedimento. O marido afirma que ela passou de uma pessoa ativa para um quadro neurológico severo.

Denúncia por negligência

Diante do ocorrido, a família protocolou, em dezembro do ano passado, uma representação no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco. O pedido solicita o afastamento e a cassação do registro profissional das três médicas que integraram a equipe responsável: a anestesista Mariana Parahyba e as cirurgiãs Clarissa Guedes e Danielle Teti.

Na representação, os advogados sustentam que Camila apresentava episódios de apneia, caracterizados por interrupções repetidas da respiração. Ainda assim, segundo o documento, os alarmes dos equipamentos teriam sido ignorados por um período superior a um minuto e 42 segundos.

O texto aponta que a paciente permaneceu em sofrimento respiratório por cerca de 15 minutos. Às 11h16, teria ocorrido a parada cardiorrespiratória, mas a equipe só teria reconhecido clinicamente o quadro por volta das 11h18, quase dois minutos após o registro eletrônico. A reanimação, segundo a denúncia, ocorreu apenas às 11h33, quando já havia sequelas neurológicas permanentes.

A família afirma que a sequência de falhas resultou em lesão cerebral causada por falta prolongada de oxigenação.

Manifestação da família

O pai de Camila, Roberto Wanderley Nogueira, desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, declarou que o episódio teve impacto devastador.

Segundo ele, a suposta irresponsabilidade médica destruiu a vida da filha e afetou profundamente toda a família. Ele afirmou confiar na Justiça e pediu que o caso sirva para evitar situações semelhantes no futuro.

Posicionamento do Conselho

Procurado, o Cremepe informou que todas as denúncias e sindicâncias tramitam sob sigilo processual, conforme previsto no Código de Processo Ético-Profissional, estabelecido pela Resolução CFM nº 2.306/2022. O Conselho destacou que o sigilo é necessário para não comprometer a investigação.

As defesas das profissionais citadas ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto para posicionamento.

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