🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Corbélia
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo

Alep inicia análise do caso Renato Freitas, mas cronograma indica que disputa deve avançar ao longo de 2026

Após tarde de expectativas frustradas e oito representações protocoladas, processo contra Renato Freitas começa a tramitar com previsão de avanços apenas em 2026

Redação · · 4 min de leitura
Renato Freitas
Renato Freitas — Crédito: Alep

Bruna Bandeira

 

A segunda-feira começou cercada de expectativa na Assembleia Legislativa do Paraná. Desde o início da manhã, corria entre jornalistas e servidores a informação de que o Conselho de Ética se reuniria no início da tarde para analisar as oito representações contra o deputado Renato Freitas (PT), envolvido no confronto registrado no Centro de Curitiba no dia 19. Um link de transmissão ao vivo chegou a ser criado no canal oficial da Alep no YouTube, indicando que a reunião ocorreria de forma pública. O link, porém, expirou sem que qualquer sessão tivesse sido realizada. Após questionamentos, a comunicação da Casa informou que nenhuma reunião havia acontecido.

Pouco depois veio a primeira confirmação oficial: a Comissão de Ética realmente se reuniu, mas apenas de forma preliminar, para dar início ao processo. Presidido pelo deputado Jacovós (PL), o colegiado limitou-se a abrir formalmente a tramitação e convocar uma nova sessão para esta terça-feira (25), necessária para respeitar o prazo regimental após a publicação da pauta no site da Assembleia. Será nessa reunião que o relator será escolhido - momento que efetivamente dará arrancada ao processo contra o deputado.

Renato Freitas, que está em licença médica de sete dias, enfrenta oito representações: três apresentadas pelos deputados Tito Barrichello (União), Ricardo Arruda (PL) e Fábio Oliveira (Podemos); três protocoladas pelos vereadores curitibanos Guilherme Külter (Novo), Bruno Secco (PMB) e Eder Borges (PL); uma pelo Movimento Brasil Livre (MBL); e outra por Renata Borges, de Apucarana.

A partir da escolha do relator, será elaborado um relatório preliminar. Depois disso, Freitas terá dez dias para apresentar defesa prévia. É nesse ponto que o calendário legislativo passa a ser decisivo.

O precedente mais próximo (e mais concreto) para medir o tempo de tramitação é o próprio processo disciplinar que Renato Freitas enfrentou na Alep no ano passado. Aquele procedimento foi instaurado em 8 de abril de 2025 e tramitou por pouco mais de quatro meses, até ser suspenso liminarmente pelo Tribunal de Justiça do Paraná em 13 de agosto de 2025. Nesse intervalo, o processo avançou por diversas etapas: análise preliminar, relatoria, pedidos de vista, debates internos, elaboração de parecer e encaminhamento para possível votação antes da intervenção judicial.

Diante deste cenário, a estimativa de Jacovós, de que o processo atual só deve ser concluído em março de 2026, torna-se plausível. A Alep entra agora em período de recesso, o que congela prazos regimentais e empurra o grosso da tramitação para o ano que vem. Assim, mesmo com um ritmo consistente, o processo tende a atravessar boa parte de 2026, especialmente se houver perícias, oitivas ou nova judicialização.

Isso coloca no centro da mesa a pergunta que domina os bastidores: há tempo hábil para uma eventual cassação antes do fim do mandato, em dezembro de 2026? Se o processo seguir sem interrupções - e sem novos pedidos de vista ou ações judiciais (o que é pouco provável) - sim, é possível. Mas, considerando o histórico recente do deputado, que teve a tramitação suspensa pela Justiça após quatro meses, e lembrando que o Conselho de Ética é frequentemente palco de disputas internas, há margem real para que uma nova judicialização ou algum atraso processe prolongue o caso até o limite do mandato.

Na coletiva concedida na semana passada, Renato Freitas foi questionado diretamente sobre a possibilidade de cassação ainda nesta legislatura. Ele afirmou que não teme o processo e que, na sua avaliação, a ofensiva contra ele não tem origem no episódio da briga, mas na atuação parlamentar que desagrada setores da Casa. Segundo Freitas, os parlamentares que agora o acusam são “os mesmos que praticaram rachadinha, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e roubaram os cofres públicos”. Ele citou nominalmente o ex-presidente da Alep, Ademar Traiano, e disse acreditar que seu mandato está sendo alvo de uma “guerra política”, mas que “a justiça, o direito e a verdade” impedirão a cassação. Para Freitas, o processo não é jurídico: é político.

Enquanto isso, o ambiente político segue em efervescência. Freitas insiste em legítima defesa e acusa adversários de armação; opositores pedem celeridade e punição exemplar; e o Conselho de Ética tenta dar os primeiros passos em um processo que promete atravessar 2026, influenciar o clima político da Casa e testar os limites do calendário legislativo diante da intenção de alguns parlamentares em viabilizar uma cassação em ano pré-eleitoral.

 

 

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.