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Veja vídeo da avalanche que deixou 98 mortos e mais de 800 desaparecidos na fronteira entre Nepal e Tibete

Tragédia atingiu áreas turísticas, vilas e estruturas de transporte; terremoto e rompimento de lago glaciar são investigados

Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Acidente Nepal
Acidente Nepal — Crédito: Divulgação

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Uma avalanche de lama de grandes proporções atingiu nesta quarta-feira (26) a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, território controlado pela China, deixando ao menos 98 mortos e 844 desaparecidos, segundo os balanços mais recentes divulgados pelas autoridades.

Do total de mortes, 95 foram registradas no Nepal e três no Tibete. Entre os desaparecidos, 579 estão no lado nepalês e 265 no território chinês. As equipes de emergência trabalham para localizar sobreviventes em uma região de difícil acesso, marcada por montanhas, rios e áreas de forte apelo turístico.

Imagens registradas por moradores e viajantes mostram a força da enxurrada de lama e água. Pontes foram arrastadas, veículos ficaram submersos e casas foram destruídas. No porto de Gyirong, no lado chinês, uma estrutura inteira foi atingida pela avalanche. Estradas, comunicações e o fornecimento de energia também foram afetados.

No Nepal, um dos locais mais atingidos foi o distrito de Rasuwa, onde vivem cerca de 50 mil pessoas. Assentamentos próximos aos rios foram praticamente destruídos. Helicópteros chegaram a ser mobilizados para auxiliar nos resgates, mas encontraram dificuldades para pousar nas áreas atingidas.

A tragédia também preocupa por causa da presença de turistas. O Conselho de Turismo do Nepal informou que centenas de viajantes estão desaparecidos, incluindo estrangeiros de países como Índia, Coreia do Sul, Malásia, Reino Unido, África do Sul, Estados Unidos, Austrália e Holanda. Entre os desaparecidos no Tibete estão oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica. Até a última atualização, o Itamaraty não havia confirmado a presença de brasileiros entre os desaparecidos.

A região atingida é conhecida por receber turistas que percorrem a trilha de Langtang e viajantes que seguem para a peregrinação hindu ao Kailash Mansarovar. O território também abriga importantes rios, usinas hidrelétricas e uma passagem de fronteira entre Nepal e China.

Causa ainda é investigada

As autoridades ainda não determinaram oficialmente o que provocou a avalanche. Um terremoto de magnitude 4,4 registrado minutos antes do desastre é uma das hipóteses investigadas.

Especialistas também avaliam a possibilidade de um GLOF (Glacial Lake Outburst Flood), fenômeno provocado pelo rompimento repentino de um lago formado pelo derretimento de geleiras. A hipótese ganhou força porque os Himalaias vêm registrando o rápido derretimento de gelo, aumentando o tamanho e a quantidade desses lagos.

A região já havia enfrentado uma inundação semelhante em julho de 2025, quando o transbordamento de um lago glaciar foi apontado como causa da enchente que deixou 17 pessoas desaparecidas.

Durante o período de monções, entre junho e setembro, chuvas intensas aumentam o risco de enchentes e deslizamentos no Nepal e em outras áreas do sul da Ásia. No entanto, pela dimensão da destruição e pelo número de vítimas, a ocorrência desta quarta-feira é considerada uma das mais graves já registradas na região.

Policiais e militares do Nepal foram mobilizados para as buscas. O Exército informou ter resgatado 88 pessoas, enquanto as equipes continuam procurando sobreviventes entre os escombros e nas áreas isoladas pela lama.

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