🗳️ Eleições 2026: acompanhe a apuração em tempo real Acompanhar →
Gcast
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Chef Ângelo Omar Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo
cpi  dos combustiveis
cpi dos combustiveis — Crédito: Freepik
Público › Brasil

Crise dos Combustíveis: Federação dos Petroleiros aponta distorções no setor após reajuste da Petrobras

Entidade afirma que privatização da BR Distribuidora reduziu capacidade de regulação do governo. Diesel subiu R$ 0,74 em média na última semana, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio e dependência de importações

Gabriel Porta · · 3 min de leitura

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) voltou a criticar nesta quarta-feira (18) o que classifica como “distorções estruturais” no setor de combustíveis, apontadas como responsáveis pela recente alta no preço do diesel nos postos brasileiros.

Em nota, a entidade, que representa 14 sindicatos da indústria de óleo e gás, atribui a elevação dos preços a fatores como privatizações realizadas nos últimos anos e margens consideradas abusivas ao longo da cadeia de distribuição.

Segundo a diretora da FUP, Cibele Vieira, o cenário atual reflete a perda de controle público sobre o setor e a dependência de importações, agravadas pela alta do petróleo no mercado internacional em meio ao conflito no Oriente Médio.

“A Petrobras pode equilibrar preços na refinaria, mas não controla o que acontece depois. Sem distribuição pública e com parte do diesel sendo importado, abre-se espaço para aumentos abusivos ao longo da cadeia”, afirmou.

Alta nos preços

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis indicam aumento de 12% no preço médio do diesel S10 entre a primeira e a segunda semanas de março.

O valor médio passou de R$ 6,15 para R$ 6,89 por litro no período.

A entidade reconhece medidas adotadas pelo governo federal para conter a escalada. Entre elas, a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e a concessão de subsídio de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores.

Além disso, o governo propôs que estados e o Distrito Federal zerem temporariamente o ICMS sobre o diesel importado.

Pressão internacional

A alta dos combustíveis no Brasil está diretamente ligada ao cenário externo. O barril do petróleo tipo Brent, referência global, é negociado na casa dos US$ 108, acumulando alta de cerca de 55% em um mês.

Como o petróleo é uma commodity com preço definido internacionalmente e o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, a variação externa impacta diretamente o mercado interno.

Reajuste e política de preços

No último sábado (14), a Petrobras reajustou o diesel A em R$ 0,38, elevando o preço para R$ 3,65 por litro nas refinarias.

Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o valor praticado pela estatal ainda está 59% abaixo da paridade internacional.

Desde 2023, a Petrobras adota uma política que evita repassar imediatamente as oscilações externas ao consumidor.

Ainda assim, a FUP avalia que a estatal não tem controle sobre o preço final ao consumidor.

Críticas à privatização

A entidade também critica a privatização da antiga BR Distribuidora, realizada no governo anterior. A empresa foi adquirida pela Vibra Energia, que manteve o direito de uso da marca BR até 2029.

Para a FUP, a saída da Petrobras do segmento de distribuição reduziu a capacidade de regulação dos preços no mercado.

O coordenador-geral da federação, Deyvid Bacelar, afirma que empresas privadas tendem a repassar rapidamente as variações de preço ao consumidor.

“Quando o diesel sobe, não é só o combustível que encarece, mas também o transporte, os alimentos e a inflação. O aumento se espalha por toda a economia”, disse.

O cenário global segue pressionado após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro.

Uma das principais preocupações é o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás comercializados no mundo.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.