Sem licitação, contrato de R$ 4,7 mi para totens em Paranavaí levanta questionamentos sobre contratação e histórico da empresa
Sistema com reconhecimento facial foi contratado por inexigibilidade de licitação; empresa responsável já esteve envolvida em disputas judiciais e contratos semelhantes em outros municípios
A contratação de um sistema de monitoramento urbano por meio de totens eletrônicos em Paranavaí, no noroeste do Paraná, passou a gerar questionamentos após a divulgação do contrato firmado pela prefeitura. O acordo, no valor de R$ 4.778.523,96, prevê a locação de equipamentos de segurança com reconhecimento facial e foi celebrado por inexigibilidade de licitação com a empresa Helper Tecnologia de Segurança S/A.
O contrato, registrado como nº 144/2025, está vinculado ao processo administrativo nº 105/2025 e prevê a instalação de dez totens eletrônicos de monitoramento em praças, parques e terminais urbanos da cidade. Entre os locais previstos estão a Praça dos Pioneiros, Praça dos Expedicionários, Parque Ouro Branco, Bosque Municipal e o Terminal Urbano Ângelo Bogoni.
Os equipamentos possuem cerca de quatro metros de altura e são equipados com câmeras de vídeo, sirene, alto-falantes e botão de emergência que permite comunicação direta com a central de monitoramento da Guarda Municipal. O sistema inclui ainda tecnologia de reconhecimento facial, capaz de identificar indivíduos em tempo real a partir das imagens captadas pelas câmeras.
Além da instalação dos totens, o contrato prevê a implantação de uma central de monitoramento com servidores, videowall e infraestrutura de transmissão de dados. As imagens captadas pelos equipamentos deverão ser armazenadas por pelo menos 30 dias.
Contratação por inexigibilidade
Um dos pontos que passou a gerar questionamentos é a forma de contratação. O município optou pela inexigibilidade de licitação, modalidade prevista na legislação quando há inviabilidade de competição ou quando o serviço possui características técnicas que inviabilizam a disputa entre fornecedores.
No caso de Paranavaí, a contratação direta ocorreu com base no processo de inexigibilidade nº 41/2025, sem a realização de concorrência pública entre empresas do setor. O contrato tem prazo de vigência de dois anos, com possibilidade de prorrogação conforme previsto na Lei nº 14.133, que regula as licitações e contratos administrativos no país.
Além disso, a justificativa de inexigibilidade de licitação, que pressupõe a inviabilidade de competição, também tem sido questionada, já que o mercado de segurança eletrônica possui diversas empresas que oferecem soluções semelhantes de monitoramento urbano. Sistemas baseados em totens, câmeras inteligentes, videomonitoramento integrado e reconhecimento facial são comercializados por diferentes fornecedores no Brasil, incluindo empresas de tecnologia, integradoras de segurança e fabricantes de equipamentos de vigilância urbana. Essas soluções são utilizadas por prefeituras e governos estaduais em projetos de “cidades inteligentes”, normalmente contratadas por meio de licitações públicas que permitem a comparação de propostas técnicas e financeiras entre concorrentes.
Histórico de questionamentos
A empresa contratada, Helper Tecnologia de Segurança S/A, possui sede em Colombo (PR) e atua na área de tecnologia e monitoramento eletrônico. De acordo com dados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), a companhia tem capital social de R$ 1 milhão e tem como diretor Edison Katsumi Endo, enquanto Luzia Donha Artero figura como presidente da empresa.
Contratos semelhantes firmados pela empresa em outros municípios já foram alvo de questionamentos administrativos e judiciais. Em Balneário Camboriú (SC), por exemplo, o Ministério Público apontou possíveis irregularidades na contratação de totens em 2017, incluindo suspeitas de preços acima do mercado e problemas no funcionamento dos equipamentos. Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de bens ligados ao contrato enquanto a investigação era conduzida.
Também em cidades do interior paulista houve ações judiciais relacionadas ao uso de sistemas semelhantes. Em alguns casos, a Justiça rejeitou ações que contestavam os contratos firmados entre prefeituras e a empresa, mantendo a validade dos acordos administrativos.
Mudanças de modelo em outras cidades
A adoção de totens de segurança como ferramenta de monitoramento urbano também tem sido revista por algumas administrações municipais. Em Londrina, no norte do Paraná, a prefeitura informou recentemente que está retirando os equipamentos instalados em gestões anteriores após o término do contrato com a empresa responsável.
Segundo a administração municipal, o modelo de monitoramento baseado em totens foi substituído por um sistema mais amplo de videomonitoramento com câmeras distribuídas pela cidade e integradas a plataformas de inteligência artificial e análise de dados. Atualmente, Londrina possui mais de 600 câmeras em operação e novos sistemas estão sendo implantados em parceria com o governo estadual por meio do Projeto Olho Vivo, que prevê tecnologia semelhante à utilizada em programas de segurança urbana em grandes capitais.
Implantação prevista em Paranavaí
Em Paranavaí, o contrato estabelece que a empresa contratada terá até 90 dias para concluir a instalação completa dos equipamentos e da central de monitoramento após a assinatura do contrato. A empresa também ficará responsável pela manutenção técnica periódica dos equipamentos, atendimento a falhas no sistema e disponibilização das imagens captadas sempre que solicitado pela administração municipal ou por órgãos de segurança pública dentro do prazo de armazenamento previsto.
Matérias relacionadas
“Tijolinho” do Marcos Formighieri analisa pesquisa eleitoral e faz críticas ao governo do Paraná
Participantes do Mais Motoristas têm até 3/9 para enviar documentos
Advogado que move ações contra o poder público revela bastidores de denúncias no Paraná
Governo Central tem superávit de R$ 10,8 bilhões em julho
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.