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Público › Saúde

Entidades científicas pedem cautela sobre uso da polilaminina

SBPC e ABC alertam para risco de judicialização e defendem avaliação técnica da proteína experimental

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
polilaminina
polilaminina — Crédito: Reprodução Redes Sociais

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a Academia Brasileira de Ciências divulgaram na sexta-feira (20) um editorial conjunto pedindo cautela no debate público sobre a polilaminina, proteína experimental desenvolvida para estimular a regeneração de lesões medulares.

No documento, as entidades afirmam que questionamentos sobre evidências científicas devem ser feitos em fóruns técnicos apropriados, com revisão por pares e transparência metodológica, e não por meio de judicialização ou exposição midiática antecipada.

“O que o caso revela é a necessidade de fortalecer os mecanismos institucionais de avaliação científica, revisão por pares, transparência metodológica e governança da pesquisa, evitando que disputas científicas migrem prematuramente para arenas midiáticas ou judiciais sem a devida mediação técnico-científica”, afirmam.

Situação regulatória

A polilaminina foi desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro e está em fase de testes de segurança na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A substância ainda não concluiu todas as etapas necessárias para comprovar eficácia e segurança clínica.

Segundo o editorial, a preocupação das entidades é que relatos isolados tenham sido interpretados como prova de eficácia. O tema ganhou repercussão na imprensa e nas redes sociais, e dezenas de pacientes recorreram à Justiça para obter a aplicação da proteína fora dos protocolos de pesquisa.

Nos últimos 15 dias, três pessoas que receberam a substância por decisão judicial morreram. O laboratório Cristália, responsável pela produção, informou que as mortes não têm relação com a polilaminina.

Etapas da pesquisa

No texto, as entidades destacam que terapias em áreas como neuroregeneração exigem longo percurso entre pesquisa básica, validação pré-clínica, ensaios clínicos e eventual incorporação ao sistema de saúde.

“A literatura internacional demonstra que terapias avançadas em saúde exigem processos rigorosos de validação científica, regulação sanitária e avaliação clínica, sendo incompatíveis com soluções imediatas ou expectativas terapêuticas antecipadas”, afirmam.

O editorial também defende que haja clareza na distinção entre pesquisa experimental, evidência consolidada e aplicação clínica.

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma versão sintética aprimorada da proteína laminina, extraída de placentas humanas. Ela atua como guia em lesões medulares, auxiliando na reconexão de fibras nervosas rompidas. A regeneração ocorre de forma gradual e pode levar meses.

Em estudo com oito pacientes com lesão medular completa, seis apresentaram algum tipo de recuperação motora após o tratamento. Um deles voltou a andar.

O medicamento ainda não possui registro definitivo. Por isso, pacientes têm buscado acesso por meio de decisões judiciais.

Em 5 de janeiro, a Anvisa autorizou um estudo clínico de fase 1 para testar a substância em cinco pacientes com lesões recentes na medula espinhal. O objetivo é avaliar a segurança da aplicação diretamente na área lesionada.

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