PSD aposta em três nomes e insiste em “terceira via” para 2026
Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado aparecem no meio da tabela em pesquisa Datafolha, mas dirigentes do partido afirmam que ainda há tempo para consolidar uma alternativa à polarização nacional
Mesmo com desempenho ainda modesto nas primeiras pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2026, o PSD mantém a estratégia de lançar candidatura própria ao Palácio do Planalto. A leitura interna da legenda é de que o cenário eleitoral ainda está aberto e que há espaço para a construção de uma alternativa fora da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Pesquisa recente do Datafolha mostra que possíveis presidenciáveis ligados ao PSD aparecem com índices ainda de um dígito, na faixa entre 6% e 8% das intenções de voto, figurando no chamado “meio de tabela” da disputa. Apesar dos números discretos, dirigentes e lideranças do partido defendem que a eleição ainda está distante e que o quadro pode mudar conforme o debate político se intensifique.
Dentro da legenda, três governadores despontam como possíveis candidatos: Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Os três têm em comum altos índices de aprovação em seus estados, embora representem perfis políticos distintos.
Caiado tem apostado em um discurso mais voltado à segurança pública e a pautas conservadoras. Ratinho Junior busca projetar nacionalmente a imagem de gestor, enfatizando investimentos, obras de infraestrutura e parcerias com a iniciativa privada no Paraná. Já Eduardo Leite procura ocupar um espaço mais moderado no debate político, com críticas à polarização e defesa de uma agenda mais centrista.
Após a divulgação da pesquisa, os três governadores procuraram relativizar os números. Ratinho Junior afirmou que a eventual candidatura do PSD não deve ser encarada apenas como uma “terceira via”, mas como uma alternativa política capaz de ampliar o debate nacional. Segundo ele, o eleitor ainda não está focado na eleição presidencial, o que tende a ocorrer apenas mais próximo do pleito.
Eduardo Leite também minimizou o desempenho do partido no levantamento, destacando que pesquisas feitas com tanta antecedência servem mais como um retrato momentâneo do ambiente político. O governador gaúcho também ressaltou que os principais nomes da polarização apresentam índices elevados de rejeição, o que, na avaliação dele, pode abrir espaço para novas candidaturas.
Nos bastidores do PSD, a percepção é de que Ratinho Junior aparece hoje como o nome mais competitivo da legenda para uma eventual disputa nacional. Interlocutores do governador afirmam que, neste momento, não há discussão concreta sobre uma candidatura dele ao Senado pelo Paraná.
A definição do candidato presidencial do partido não deve ocorrer por meio de prévias formais. A decisão ficará a cargo da cúpula partidária, liderada pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que deve anunciar até o final deste mês qual dos três governadores será o escolhido para representar a legenda na disputa presidencial.
Mesmo diante de um cenário ainda dominado pela polarização política, a aposta do PSD é que o tempo até 2026 permita consolidar um nome capaz de atrair eleitores em busca de uma alternativa de centro na disputa pelo Palácio do Planalto.
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