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Procurador que processa Globo recebeu R$ 970 mil em 2025, diz levantamento

Cléber Eustáquio Neves ultrapassou teto constitucional com penduricalhos, segundo dados do MPF

Gabriel Porta · · 2 min de leitura
procurador globo
procurador globo — Crédito: Reprodução Redes Sociais

O procurador da República Cléber Eustáquio Neves, que move ação contra a Rede Globo por suposto erro na pronúncia da palavra “recorde”, recebeu R$ 970 mil em 2025. O valor inclui R$ 321,4 mil em verbas indenizatórias e auxílios, conhecidos como penduricalhos.

Os dados constam em levantamento com base em informações do Ministério Público Federal.

Segundo o levantamento, a remuneração bruta mensal do procurador ultrapassou o teto constitucional de R$ 46,3 mil em todos os meses do ano. Em dezembro, o total pago superou R$ 138,1 mil, quase o triplo do limite.

A Constituição estabelece que nenhum servidor pode receber acima do salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal, mas permite o pagamento de verbas indenizatórias fora do teto. Na prática, benefícios como auxílio-educação e auxílio-combustível acabam elevando os vencimentos.

Revisão dos penduricalhos

O ministro do STF Flávio Dino determinou a revisão dos pagamentos de penduricalhos nos Três Poderes. Segundo ele, apenas ressarcimentos de despesas extraordinárias devem ser considerados indenizatórios. Outras verbas precisam respeitar o teto constitucional.

A decisão gerou reação de entidades do Ministério Público. Em nota, a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público Federal afirmou que o debate afeta a segurança jurídica e a estabilidade do regime remuneratório da carreira.

Ação contra a Globo

Cléber Eustáquio Neves ingressou com ação civil pública na 2ª Vara Cível da Subseção Judiciária de Uberlândia (MG). Ele pede indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.

O procurador sustenta que a emissora comete erro reiterado ao pronunciar a palavra “recorde”. Segundo ele, o termo é paroxítono, com sílaba tônica na penúltima, “reCORde”. De acordo com a ação, jornalistas da emissora utilizariam a forma “RÉcorde”.

No processo, o procurador afirma que o uso repetido da pronúncia considerada incorreta pode induzir telespectadores ao erro, especialmente estudantes e candidatos a concursos públicos.

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