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Presidenciáveis divergem sobre relação do Brasil com EUA, Ásia e Brics

Planos de governo revelam diferentes estratégias para ampliar mercados, fortalecer o Mercosul e definir a relação do Brasil com Brics, China, Estados Unidos e outras potências

Repórter Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Presidenciaveis
Presidenciaveis — Crédito: Divulgação

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Os cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto apresentam propostas diferentes para a política externa brasileira. Entre os principais pontos estão a ampliação de parcerias comerciais, a abertura de novos mercados, o fortalecimento do Mercosul e mudanças na relação do país com o Brics.

Os planos de governo apresentados no registro das candidaturas dedicam capítulos específicos à política externa e, embora tenham pontos em comum, revelam visões distintas sobre os parceiros estratégicos do Brasil.

Lula (PT) defende a diversificação das parcerias comerciais e a abertura de novos mercados, com maior aproximação com países da África, Ásia, Oriente Médio e Europa. O candidato também propõe aprofundar as relações com o Brics e o G20, além de defender reformas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Flávio Bolsonaro (PL) aposta em uma política de maior abertura comercial, especialmente para bens de capital, tecnologia e insumos. O plano prevê a ampliação de acordos comerciais, a adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e medidas para evitar dependência excessiva em setores considerados estratégicos. Também propõe ampliar a internacionalização de pequenas e médias empresas e atrair investimentos estrangeiros para a transição energética.

Ronaldo Caiado (PSD) coloca entre as prioridades a ampliação dos mercados para produtos brasileiros e a atração de investimentos estrangeiros. O candidato também defende o aumento da complexidade tecnológica das exportações, a consolidação do acordo entre Mercosul e União Europeia e uma aproximação maior com mercados da Ásia, África e região do Indo-Pacífico. Outra proposta é identificar dependências externas e diversificar os parceiros comerciais.

Renan Santos (Missão) propõe uma atuação mais voltada à América Latina, com a intenção de ampliar a liderança brasileira na região. O plano também prevê parcerias com países da Asean, especialmente Vietnã e Filipinas, além de maior integração com nações de língua portuguesa, como Portugal, Angola e Moçambique.

Na relação com o Brics, Renan Santos defende uma postura considerada mais pragmática, com redução da dependência em relação à China e do uso do dólar. O candidato também propõe que o Brasil atue como mediador de conflitos no continente africano.

Romeu Zema (Novo) apresenta a posição mais crítica ao Brics entre os cinco candidatos. O plano prevê a saída do Brasil do bloco e a adesão à OCDE. Zema também defende a retomada das relações com os países do Mercosul, especialmente a Argentina, além de uma maior aproximação com países da bacia do Pacífico.

O candidato também propõe flexibilizar a estrutura do Mercosul e facilitar a entrada de turistas de países considerados seguros, por meio da isenção de vistos.

Apesar das diferenças, os cinco programas apresentam um ponto de convergência: a defesa da ampliação das relações comerciais e da busca por novos mercados para os produtos brasileiros. A divergência aparece principalmente na escolha dos parceiros estratégicos e no papel que o Brasil deve exercer em blocos como Mercosul e Brics.

As propostas também mencionam a soberania nacional e a defesa de uma política externa sem alinhamento automático com outras nações. Na prática, porém, os programas mostram caminhos distintos: enquanto Lula aposta no fortalecimento das relações com o Brics, Zema propõe abandonar o bloco, e Renan Santos defende uma relação mais pragmática, com menor dependência da China.

Foto: Divulgação 

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