Preços dos carros recuam no Brasil após anos de alta; avanço das montadoras chinesas impulsiona movimento
Concorrência com marcas asiáticas e maior oferta de modelos híbridos e elétricos levam fabricantes tradicionais a reduzir preços e ampliar promoções
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Os preços dos carros novos registraram queda no Brasil no último ano, interrompendo um período de sucessivos aumentos acima da inflação. Levantamento da consultoria Bright Consulting mostra que o valor médio de tabela dos veículos leves passou de R$ 172,5 mil, em junho de 2025, para R$ 170 mil em junho deste ano, uma redução de 1,5%.
A queda foi ainda mais significativa no preço efetivamente pago pelos consumidores. Segundo o estudo, a média desembolsada pelos compradores caiu de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil no período, um recuo de 3,5%.
Concorrência chinesa muda o mercado
Especialistas apontam que a redução dos preços é resultado de uma combinação de fatores, como a amortização dos custos de novas tecnologias e, principalmente, o avanço das montadoras chinesas no mercado brasileiro.
Com modelos híbridos e elétricos oferecendo mais tecnologia a preços competitivos, as fabricantes asiáticas ampliaram a concorrência e pressionaram as marcas tradicionais a reverem suas estratégias comerciais.
Para Theo Paul Santana, especialista em comércio Brasil-China e fundador da consultoria Destino China, a política de preços faz parte de um plano para conquistar espaço no mercado brasileiro.
"A estratégia é reduzir preço, aumentar volume, fortalecer a marca e se estabelecer antes da alta dos impostos de importação. A China consegue sustentar isso por escala e verticalização, mas não significa necessariamente lucro alto no Brasil. É uma fase de captura de mercado", explica.
Tecnologia e preços competitivos atraem consumidores
Modelos como o GWM Haval H6, vendido a partir de R$ 199,9 mil, passaram a disputar segmentos tradicionalmente dominados por fabricantes já consolidadas no país.
Além do preço, os veículos chineses ganharam espaço por oferecerem tecnologias embarcadas, sistemas híbridos e elétricos e equipamentos considerados diferenciais pelos consumidores.
Sem alternativas equivalentes em curto prazo, diversas montadoras passaram a reduzir preços e ampliar campanhas promocionais.
Montadoras tradicionais respondem com descontos
A Mitsubishi reposicionou os preços de toda a linha, enquanto a Volkswagen reduziu em até R$ 10 mil o valor do T-Cross, líder entre os SUVs mais vendidos do país, e também lançou ofertas para o hatch Polo.
A Renault também passou a oferecer descontos em modelos como Boreal e Koleos, apresentados recentemente ao mercado brasileiro.
Levantamentos realizados no fim de julho mostram que promoções superiores a R$ 20 mil passaram a ser frequentes nas concessionárias e nos sites oficiais das fabricantes.
Entre os exemplos está o sedã híbrido BYD King GL, anunciado por R$ 147.990, valor R$ 25 mil inferior ao preço de tabela.
Estratégia segue modelo adotado por empresas chinesas
Na avaliação de Theo Paul Santana, a estratégia utilizada pelas montadoras chinesas é semelhante à adotada por grandes plataformas asiáticas de comércio eletrônico, como Shopee, Shein e AliExpress.
"Não é coincidência, é o mesmo manual aplicado a um produto mais caro. Quem olha apenas o preço acha que a estratégia é vender barato, mas a diferença está na estrutura que permite praticar esses valores, com cadeias produtivas mais enxutas e grande escala de produção", afirma.
Segundo o especialista, o objetivo inicial não é maximizar os lucros, mas ampliar rapidamente a participação no mercado brasileiro.
"O preço faz parte de uma estratégia mais ampla de ocupação de mercado. As montadoras chegam a faixas de preço que muitas marcas tradicionais têm dificuldade de acompanhar sem comprometer suas próprias linhas", conclui.
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