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metanol — Crédito: Biodiesel Brasil

Preço do diesel cai pela 4ª vez em cinco semanas, mas segue 18% acima do pré-guerra

Monitoramento da ANP aponta que o litro do diesel S10 baixou para R$ 7,24 na média nacional; apesar do alívio gerado por subsídios federais, combustível acumula alta expressiva desde o início do conflito no Irã

Gabriel Porta · · 5 min de leitura

O preço do óleo diesel voltou a registrar queda no Brasil e acumula o quarto recuo em um intervalo de cinco semanas. Apesar da redução recente, o combustível ainda permanece significativamente mais caro do que antes da escalada do conflito envolvendo o Irã no fim de fevereiro.

Os dados fazem parte do monitoramento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsável pela regulação do setor no país. Segundo o levantamento, o litro do diesel S10 foi vendido, em média, a R$ 7,24 na semana entre os dias 3 e 9 de maio.

O comportamento do diesel é acompanhado de perto pelo setor produtivo e por autoridades econômicas porque o combustível é a principal fonte utilizada pela frota de caminhões e ônibus no país. Qualquer alteração no preço impacta diretamente o valor do frete e, consequentemente, o custo final dos alimentos e demais produtos transportados.

Nas últimas cinco semanas, a ANP identificou uma estabilidade seguida de quatro quedas consecutivas no preço médio do diesel S10. O combustível saiu de R$ 7,58 em abril para os atuais R$ 7,24 por litro.

Mesmo com a trajetória de queda, o preço ainda está muito acima do registrado antes do agravamento da guerra envolvendo o Irã. Na semana encerrada em 28 de fevereiro, data apontada como marco inicial da escalada do conflito, o diesel era comercializado a R$ 6,09 em média no país. Desde então, o combustível chegou ao pico de R$ 7,58 em abril, acumulando forte pressão sobre a cadeia logística nacional.

O diesel S500 também apresentou comportamento semelhante. O preço médio caiu de R$ 7,45 para R$ 7,05 nas últimas semanas, uma redução de 5,37%. Ainda assim, permanece cerca de 17% acima do período anterior ao conflito.

A principal diferença entre o diesel S10 e o S500 está na emissão de enxofre. O S500 possui concentração 50 vezes maior de poluentes do que o S10. Atualmente, o S10 responde por aproximadamente 70% do consumo nacional e é utilizado principalmente em veículos fabricados a partir de 2012.

Impacto da guerra no petróleo

O aumento internacional dos combustíveis começou após a intensificação da guerra no Irã, que provocou ataques em países vizinhos produtores de petróleo e afetou o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circulava cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural antes do conflito.

Com a instabilidade logística e a redução da oferta global de petróleo, os preços dispararam no mercado internacional. O barril do petróleo Brent, referência mundial, saltou de cerca de US$ 70 para valores superiores a US$ 100, chegando a atingir picos próximos de US$ 120.

Como o petróleo é uma commodity negociada internacionalmente, o aumento acabou impactando também o Brasil, mesmo sendo produtor de petróleo. No caso específico do diesel, o país ainda depende da importação de aproximadamente 30% do combustível consumido internamente.

Subsídio e redução de impostos

A redução observada nas últimas semanas coincide com o início das medidas adotadas pelo governo federal para tentar conter a alta dos combustíveis. Desde 1º de abril, produtores e importadores passaram a receber subsídios para comercialização do diesel.

Pela medida, o diesel produzido no Brasil pode receber subsídio de até R$ 1,12 por litro, enquanto o combustível importado pode contar com benefício de até R$ 1,52 por litro. O pagamento, porém, depende do repasse do desconto à cadeia de distribuição e ao consumidor final.

Além disso, o governo também zerou as alíquotas federais de PIS e Cofins incidentes sobre o diesel, em tentativa de reduzir a pressão nos postos de combustíveis.

Petrobras e mercado

O pesquisador Iago Montalvão, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), afirmou à Agência Brasil que tanto as medidas do governo quanto a atuação da Petrobras ajudaram a conter novos aumentos.

Segundo ele, no início da crise internacional houve uma tentativa de empresas ampliarem reajustes para compensar o aumento do petróleo e preservar margens de lucro. A própria Petrobras elevou o preço do diesel em R$ 0,38 duas semanas após o início da guerra.

Ainda assim, Montalvão avalia que a forte presença da estatal no mercado nacional de combustíveis ajudou a limitar reajustes maiores.

“Foi essencial para segurar o repasse dessa alta para os postos e forçar outras refinarias a não aumentarem tanto os preços também”, afirmou o pesquisador.

De acordo com a ANP, a Petrobras respondeu por participação entre 75,74% e 78,23% do fornecimento nacional de diesel entre 2023 e 2025.

O pesquisador também destacou que as desonerações fiscais e os subsídios tiveram papel importante para conter o impacto inflacionário dos combustíveis.

“Medidas fiscais ajudaram a conter a alta na etapa final, de distribuição e revenda”, afirmou. “Essas medidas têm sido muito importantes para conter a inflação como um todo na economia.”

Apesar da desaceleração recente, o cenário ainda é considerado instável. Segundo Montalvão, o petróleo Brent continua em patamar elevado e não há previsão concreta para o encerramento do conflito internacional.

Na tarde desta segunda-feira (11), o barril do Brent seguia negociado na faixa de US$ 104.

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