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combustiveis — Crédito: Banco de imagens/Pexels/Engin Akyurt
Público › Economia

Preços dos combustíveis caem 6% em abril após fortes altas, aponta IBPT

Levantamento baseado em 497 mil notas fiscais mostra recuo médio de 6,04% no país; etanol lidera quedas, mas diesel continua pressionando os custos logísticos no ano

Gabriel Porta · · 4 min de leitura

Os preços dos combustíveis vendidos pelas distribuidoras registraram queda média de 6,04% em abril, após as fortes altas observadas em março, quando alguns produtos chegaram a acumular aumentos superiores a 30%. Os dados fazem parte de um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), elaborado com base na análise de cerca de 497 mil notas fiscais emitidas em todo o país.

Apesar do recuo no último mês, os combustíveis ainda acumulam alta de 5,41% em 2026, cenário que continua refletindo os impactos das tensões internacionais e da pressão sobre os custos logísticos.

Segundo o IBPT, o movimento registrado em abril representa uma acomodação do mercado após o pico de preços observado no mês anterior, mas os valores seguem acima do patamar registrado no início do ano.

A maior queda regional foi registrada no Centro-Oeste, onde os combustíveis tiveram retração média de 7,86%. Em seguida aparecem as regiões Sul, com baixa de 7,36%, e Sudeste, com recuo de 7,13%.

No Norte, a redução média foi de 5,05%, enquanto o Nordeste apresentou a menor retração do país, com queda de 2,81%, indicando comportamento desigual do mercado entre as regiões brasileiras.

Entre os combustíveis analisados, o Diesel S500 comum apresentou uma das maiores quedas no Centro-Oeste, com redução de 12,40% em abril na comparação com março. Na mesma região, o Diesel S10 caiu 10,19%.

Já a gasolina comum teve comportamento diferente e registrou leve alta de 1,05% no Centro-Oeste, demonstrando que os reajustes continuam variando conforme o tipo de combustível e a dinâmica regional.

O levantamento também aponta queda nos preços do etanol em todas as regiões do país, com destaque novamente para o Centro-Oeste, onde o biocombustível recuou 10,50%, e para o Sudeste, com baixa de 9,01%.

De acordo com o instituto, o etanol foi o único combustível a apresentar redução acumulada no ano em boa parte do Brasil, com queda média de 7,59%.

Mesmo com o recuo observado em abril, o diesel segue sendo apontado como o principal fator de pressão sobre a economia brasileira. Isso porque o combustível tem impacto direto sobre o transporte de cargas, custos logísticos e inflação indireta.

Segundo o IBPT, a escalada das tensões geopolíticas internacionais, intensificada desde o fim de fevereiro, continua influenciando os preços praticados no mercado interno.

No Nordeste, por exemplo, o diesel ainda acumula algumas das maiores altas do país em 2026. O Diesel S500 comum registra avanço de até 24,88%, enquanto o Diesel S10 acumula alta de 24,39%.

O presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, afirmou que a queda registrada em abril deve ser analisada com cautela.

“Ela ocorre após um movimento atípico de alta e não representa, necessariamente, uma reversão estrutural de tendência. O mercado ainda opera sob pressão, especialmente no diesel, que continua sendo o principal componente de custo para a cadeia produtiva”, afirmou.

Segundo Amaral, mesmo com a retração pontual, os preços continuam elevados na comparação com o início do ano, mantendo impactos relevantes sobre empresas e consumidores.

“A volatilidade segue sendo o principal fator de atenção”, completou.

O diretor do instituto, Carlos Pinto, avaliou que o recuo observado em abril reflete um ajuste técnico após as fortes altas registradas em março.

“O que vemos é uma acomodação após um pico muito forte. Ainda há uma série de variáveis externas influenciando o comportamento dos preços, o que torna o cenário instável e sujeito a novos ajustes”, explicou.

Pinto também destacou que, embora o etanol possa aliviar parcialmente os gastos do consumidor em alguns períodos, o impacto econômico do biocombustível é mais limitado quando comparado ao diesel.

“O etanol ajuda a aliviar parcialmente o bolso do consumidor, mas não tem o mesmo peso estrutural do diesel na formação de preços da economia. Por isso, seu impacto é mais localizado”, afirmou.

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